Libertado antigo líder da seita 14K

O antigo líder da seita "14 K" foi libertado esta noite (sábado em Macau) da cadeia de alta segurança da ilha de Coloane, depois de 14 anos e sete meses detido.Wan Kuok Koi foi libertado às 06:50 locais (22:50 de hoje em Lisboa) e entrou numa viatura onde estava o irmão e um motorista, tendo seguido para uma das suas residências na ilha da Taipa, sem prestar declarações aos jornalistas.
A saída da prisão foi testemunhada por mais de meia centena de jornalistas e repórteres de imagem e por alguns agentes da Polícia de Segurança Pública, que, à saída do Lexus branco do parque da cadeia, acabaram por ter de intervir para permitir que Wan Kuok Koi e o irmão fossem conduzidos a casa.
Determinados a recolher imagens, o maior número de imagens possível e no melhor ângulo possível, os jornalistas acabaram por rodear o carro com alguns deles a debruçarem-se sobre a viatura e impedindo que esta saísse do local, o que obrigou os agentes a afastar os jornalistas e a libertar caminho para o carro.
À saída da cadeia, Wan Kuok Koi acabou também por evitar qualquer contacto com a imprensa, que desde as 23:00 de sexta-feira (15:00 de sexta-feira em Lisboa) estava no local.
A perspectiva de Wan Kuok Koi poder ser libertado logo às 00:00 locais levou dezenas de jornalistas para a porta da cadeia de alta segurança na ilha de Coloane e poucos minutos depois da meia-noite, a movimentação policial ainda chegou a agitar a imprensa, parecendo estar iminente a libertação.
Wan Kuok Koi acabaria, no entanto, por apenas sair da cadeia ao nascer do dia, tendo sido recolhido pelo irmão Wan Kuok Hong, também ele detido e condenado no âmbito do processo das seitas em 1999, mas que cumpriu menos tempo de prisão.
O antigo líder da "14K" foi detido a 01 de Maio de 1998, horas depois de um engenho explosivo ter rebentado numa carrinha da Polícia Judiciária de Macau que era conduzida pelo então diretor da corporação Marques Batista, que, apesar do engenho ter sido accionado por controlo remoto, saiu ileso.
Julgado já em 1999, Wan Kuok Koi acabaria condenado a 15 anos de cadeia, num processo rápido conduzido pelo juiz português Fernando Estrela, que abandonou Macau pouco tempo depois, mas a primeira acusação de homicídio na forma tentada nunca chegou a constar do processo.
Os recursos para Tribunais superiores reduziram a pena aplicada e Wan Kuok Koi só ainda não tinha sido libertado porque cumpriu mais nove meses de prisão de uma outra pena.
O caso de Wan Kuok Koi foi o mais mediático do período de administração portuguesa de Macau (terminado a 19 de Dezembro de 1999) e que nos últimos dois anos ficou marcado pela violência por disputas entre tríades.

Fonte: Lusa/SOL