Francisco José Viegas regressa amanhã às páginas da Cultura do CM com a sua coluna ‘Blog’. A opinião nunca desapareceu, nem quando o escritor esteve no Governo.

Correio da Manhã – Será complicado escrever sobre áreas de que teve a tutela enquanto secretário de Estado da Cultura?

Francisco José Viegas – Não me parece complicado propriamente, uma vez que o meu papel é diferente aqui. Nem é do meu feitio ajustar contas. Nem acho que tenho a verdade absoluta do meu lado. Aliás, sobre a maior parte dos assuntos, continuo a ter as mesmas opiniões que tinha há dois anos, na altura em que escrevia todos os dias no CM, nas crónicas reunidas no ‘Dicionário de Coisas Práticas’.

– A actuação do seu sucessor no Palácio da Ajuda, Jorge Barreto Xavier, será um tabu na coluna?

– Seria demasiado artificial e até um pouco ridículo – e injusto para com ele. Os leitores do CM sabem que nunca deixei de ser leal e frontal com outros responsáveis da Cultura.

– Sabendo como é gerir o sector com poucas verbas, corre o risco de ser mais compreensivo?

– Fui sempre compreensivo porque sempre soube que os orçamentos disponíveis não eram infinitos. A questão da cultura não é a dos orçamentos, que sempre foram baixos, é, antes, o lugar que ela ocupa na vida real das pessoas, e o papel de destaque que os criadores merecem e não têm. Infelizmente, em Portugal, esse lugar ainda é pequeno, e a crise actual também não ajuda a melhorar.

– Quando estava no Governo houve momentos em que sentiu falta de escrever a coluna ‘Blog’?

– Todos os dias. Quase todos os dias escrevi esta coluna, mentalmente – e, por vezes, no papel.

– Já alguém lhe disse que leu um livro, viu um filme, ouviu uma música ou foi a uma exposição por ter lido o que escreveu no ‘CM’?

– Muitas vezes. E isso deixou--me satisfeito porque diz muito do perfil do leitor do CM, que é hoje transversal, interclassista, aberto e curioso.

- Quando é que anuncia o lançamento do seu novo livro ‘Colecionador de Erva’?

Agora mesmo. Sai em finais de Fevereiro e é uma história policial com o detective Jaime Ramos. Ao mesmo tempo, sairá uma reedição de ‘Longe de Manaus’ e do primeiro romance, há muito esgotado, ‘Regresso por Um Rio’.

PERFIL

FRANCISCO JOSÉ VIEGAS nasceu há 50 anos em Vila Nova de Foz Côa. Licenciado em Estudos Portugueses, trocou o ensino pelo jornalismo e pela escrita. Autor de obras como ‘Morte no Estádio’ (1991) e ‘Longe de Manaus’ (2005), foi secretário de Estado da Cultura até ao passado dia 25 de Outubro. Escreve a coluna ‘Blog’ no ‘CM’ desde Janeiro de 2008.

cm