É mais difícil de tratar e diagnosticar no sexo feminino e mais frequente nelas do que neles. A disfunção sexual – alteração do, ou durante, o acto sexual – atinge 43% das mulheres e 31% dos homens.

Há várias causas que a explicam, pelo que o diagnóstico é demorado, mas a idade, o stress, a depressão e o parceiro têm destaque. Actualmente, o objectivo dos especialistas é tratar primeiro as doenças associadas, para conseguir resolver depois a disfunção.

A disfunção sexual feminina (DSF) pode ter uma causa fisiológica (como o stress, depressão, baixa de estrogénios e testosterona, uso de medicamentos, inflamações/cirurgias ginecológicas e outras doenças) ou psicológica (ansiedade, estado emocional, traumas sexuais, relação com/comportamento do parceiro).

Dependendo das causas, o tratamento será dirigido directamente a esses problemas. Normalmente, há mais de uma causa e mais de uma disfunção nas mulheres. "O diagnóstico e o tratamento são feitos por vários especialistas. Os meios de diagnóstico vão até à ressonância magnética. Se a causa for a depressão, como esta é uma condição inflamatória, em vez dos remédios ‘receita-se’ exercício físico. Assim resolve--se a inflamação e a depressão. Mas este é um tratamento longo", explica Mário Reis, director do serviço de Urologia do Hospital da Lapa, no Porto.

"CONTINUAVA DEPRIMIDA E SEM TER RELAÇÕES"

‘Maria’ (nome fictício) tinha 35 anos quando começou a ter falta de desejo sexual. "Tinha acabado de ter o meu filho e andava exausta. Até sentia cansaço ao amamentar", começa por contar. A mulher, que vive na região Norte, sofria de depressão pós--parto. "Fui medicada com antidepressivos mas o problema continuava. Era feliz com o meu marido mas notei que ele ia ficando cada vez mais impaciente. Só que eu não sabia o que fazer. Continuava deprimida e sem vontade de ter relações", descreve.

‘Maria’ queria voltar à normalidade, tendo recomeçado logo a tomar a pílula. Sem o saber, já tinha várias causas de disfunção sexual. "A depressão foi tratada com antidepressivo, que só por si dá DSF. Também tomou contraceptivo oral, que do mesmo modo pode dar diminuição da libido por diminuir a testosterona natural da mulher", explica o médico Mário Reis.

O tratamento passou por várias fases. ‘Maria’ teve de deixar os antidepressivos, começou a fazer exercício físico para melhorar a depressão, passou a ter uma alimentação mais saudável e mudou o contraceptivo. Agora, cerca de dez anos após o diagnóstico, está melhor. "Também já comunico mais com o meu marido para termos uma relação que satisfaça os dois", conclui ‘Maria’.

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