Os estragos causados pelo tornado que atingiu o Algarve no dia 16 de Novembro não se limitaram às áreas urbanas de Silves e Lagoa.

Nos campos, a força do vento, que ultrapassou os 260 quilómetros por hora, arrasou pomares de citrinos, estufas e uma grande quantidade de árvores de sequeiro, nomeadamente oliveiras. Segundo um levantamento da Direcção Regional de Agricultura do Algarve, os prejuízos ultrapassam os 800 mil euros, estando em causa agricultores que não têm seguro.

"Foram afectadas 17 explorações do concelho de Silves e três em Lagoa", explica Fernando Severino, director regional de agricultura, adiantando que os maiores estragos foram "em pomares de citrinos". O responsável refere que "a área destruída atinge os 70 hectares", embora o tornado tenha afectado uma área agrícola "muito maior".

Só em perda de produção (fruta que foi arrancada e destruída pela força do vento), os prejuízos foram avaliados em 300 mil euros. Fernando Severino diz que não poderão ser disponibilizados quaisquer apoios do Estado para este tipo de perdas, que teriam de estar cobertas por seguros.

Em relação aos danos em infra-estruturas, avaliados em 294 mil euros, em culturas permanentes (árvores arrancadas ou partidas), que atingem os 200 mil euros, e em sistemas de rega, no valor de 15 mil, existe a hipótese de os agricultores serem contemplados com apoios para a reposição do potencial produtivo. "O relatório já foi enviado ao secretário de Estado da Agricultura, que irá tomar uma decisão sobre isso", assegurou ao CM Fernando Severino.

A juntar aos prejuízos na agricultura, estão os registados nas zonas urbanas, que ascendem a 5 milhões de euros, entre habitações, automóveis e espaços comerciais: 2,6 milhões estão a ser pagos pelas seguradoras.

cm