Provedor repreende Direcção de Programas por filme com sexo e calão

Filme com sexo e calão provocou duras críticas à Direcção de Programas da RTP.Um «episódio grave», que afecta a imagem do serviço público e demonstra falta de supervisão sobre os conteúdos que vão para o ar. É assim que o Provedor do Telespectador da RTP, José Carlos Abrantes, classifica a emissão de Adoro-te à Distância, um filme que passou num domingo à tarde, no primeiro canal do Estado, apesar de conter linguagem obscena e cenas de sexo.
No parecer de José Carlos Abrantes, fica clara a repreensão à Direcção de Programas do canal público. Para o provedor, a emissão de um filme que utiliza «linguagem desbragada» e cenas pouco adequadas a crianças e jovens «descredibiliza o esforço do serviço público em passar uma imagem de seriedade». E mais: «Mostra que o filme não foi visto previamente por alguém com responsabilidades».
Abrantes defende que a comédia, emitida a 28 de Outubro, devia ter sido interrompida. «Como é possível que ninguém tenha, no decurso da emissão, tomado a decisão adequada, tirando o filme de antena?», questiona-se no parecer a que o SOL teve acesso, sublinhando estar em causa a «supervisão e o controlo da emissão».

Direcção de Programas vai abrir inquérito interno

A resposta do director de Programas, Hugo Andrade, chegou quase 15 dias depois de José Carlos Abrantes ter pedido esclarecimentos. O atraso é
justificado por Andrade com «imperativos de natureza profissional», que «têm dificultado a observância de algumas atribuições inerentes à Direcção de Programas».
O director, que acumula a programação da RTP1, da RTP2 e da RTP Memória, assume o erro, apesar de recordar que a película foi classificada pela Direcção-Geral de Espectáculos para maiores de 12 anos.
«Admito que a sua emissão na tarde de domingo, em horário familiar, correspondeu a um equívoco», escreveu Hugo Andrade ao provedor, frisando que «a admissão do erro, que a Direcção de Programas assume integralmente, não dispensa a justificação do descuido».
Andrade explica que o visionamento do filme pela Direcção de Programas «foi verificado na língua de origem» e nada na sinopse denunciava «a utilização de linguagem ordinária e inconveniente». A falha, justifica, terá estado também na unidade onde foi feita a tradução, que não alertou para o conteúdo impróprio. Por isso mesmo, Hugo Andrade garante que haverá um inquérito para «apuramento das responsabilidades».
Além disso, o episódio fez com que o director criasse novas regras de controlo. A partir de agora, todos os programas estrangeiros serão alvo de um «relatório de avaliação do conteúdo para apreciação da Direcção de Programas». Foram também dadas instruções aos tradutores para que façam uma «tradução flexível e condescendente para evitar o registo ordinário, ofensivo ou injurioso» nas obras estrangeiras emitidas na RTP antes das 22 horas.

Fonte: SOL