Maria José Vilela engravidou, sem o desejar, no final de 2010. Escondeu a barriga com roupas largas durante nove meses e nunca admitiu estar grávida.

Em Junho de 2011, deu à luz um menino, dentro em casa, em Paços de Ferreira. Embrulhou o recém-nascido num tapete e numa toalha, colocou-o num balde e deixou-o no tanque da vizinha. Começa a ser julgada dentro de um mês, por homicídio qualificado.

A mulher, de 39 anos, sempre inventou desculpas para o seu estado (ver caixa). Nunca foi a uma consulta médica e a farsa só terminou na manhã de 24 de Junho, depois de pelo menos uma tentativa de aborto. Maria José estava no trabalho quando começou a sentir contracções, tendo pedido a Deolinda Silva, sua chefe, para sair. "Dizia que estava indisposta e que voltava à tarde com a barriga pequena, porque só em casa ia conseguir vomitar", contou. A patroa, porém, mandou que uma outra funcionária, Sónia Alves, a levasse. Por pressentir que Maria José fosse cometer uma loucura, chamou a GNR pouco depois.

Já dentro de casa – onde vivia com a filha, de 13 anos, e com o namorado paraplégico – Maria José foi à casa de banho, pegou num balde e baixou-se. O bebé caiu directamente no recipiente e morreu "por insuficiência respiratória". O cordão umbilical foi cortado pela mulher, com uma tesoura doméstica. A filha disse nada ter ouvido.

Enquanto fazia descargas de água na sanita – para fazer desaparecer a placenta – a GNR batia à porta. Maria José abriu, com as roupas cobertas de sangue. Só no caminho para o hospital confessou o crime que acabara de cometer.

MULHER CHOCA POPULAÇÃO E ARRISCA 25 ANOS DE CADEIA

Acusada pelo Ministério Público de homicídio qualificado, Maria José arrisca-se a ser condenada a uma pena que pode ir dos 12 aos 25 anos de cadeia. No início do processo, estava apenas indiciada por infanticídio, mas o MP entendeu alterar o tipo de crime por acreditar que a morte do bebé fora planeada.

Quando soube do crime, a população ficou chocada. A mulher gritava que não tinha estado grávida, mas não convenceu. Ao CM, as vizinhas Miquelina Torres e Rosa Martins – dona do tanque onde o bebé foi colocado – mostraram-se revoltadas. Uma amiga de Maria José até lhe disse que ficava com a criança.

DIZ QUE BARRIGA INCHADA ERAM APENAS GASES

Quando abriu a porta de casa aos militares da GNR, Maria José tinha as calças e a camisola cobertas de sangue. Questionada, disse que estava com o período menstrual. Depois, para justificar a demora em abrir a porta, explicou que puxou o autoclismo várias vezes porque tinha vomitado – e justificou a indisposição com as sardinhas que comera no dia anterior. Durante a gravidez, a patroa confrontou-a com o tamanho da barriga, mas aquela respondeu que tinha apenas gases.

Em primeiro interrogatório, Maria José confessou o crime, mas não conseguiu explicar porque o fez. Disse que sentiu que tinha de expulsar algo do corpo, mas que não estava em si; que foi para a casa de banho porque a filha estava no quarto a dormir e não queria que aquela a visse a dar à luz; e que o bebé não chorou quando nasceu.

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