Os quatro pescadores da Manta Rota estavam a lançar ao mar armadilhas para polvos. "Do nada, surgiu outra embarcação à frente. Ainda tentei ‘dar à ré’ [marcha- -atrás], mas era tarde. Por pouco não nos safávamos." António Serafim estava a bordo do ‘Herança do Mar’, na madrugada de ontem, ao largo de Vila Real de Santo António, quando o barco embateu com a proa na lateral do arrastão ‘Peixe de Ouro’, que rumava ao mar-alto para a faina

Após a colisão, o ‘Herança do Mar' dirigiu-se para a costa, mas o barco acabou por naufragar. "Ainda tentámos chegar à praia, mas entrava muita água e não conseguimos", recorda António Serafim, mestre do barco.

Os quatro tripulantes acabaram por ser resgatados pela Polícia Marítima, quando já entravam na balsa de salvamento.

O alerta foi dado por volta 03h40 e o salvamento ocorreu cerca de 30 minutos depois. Quando as autoridades chegaram ao local, um dos homens já se encontrava dentro da balsa, enquanto os restantes procuravam retirar o material electrónico do ‘Herança do Mar'. Foram os quatro salvos sem ferimentos.

António Serafim garante que não viu a luz de estibordo do ‘Peixe de Ouro': "Seria impossível não o avistar caso a embarcação tivesse a luz ligada", garante. Além disso, acrescenta, o ‘Herança do Mar' "tinha as luzes todos ligadas, estava a fainar" - pelo que a outra embarcação "não podia passar junto à minha proa", refere ainda o mestre.

Já João Afonso, filho do proprietário do ‘Peixe de Ouro', garante ao CM que as luzes estavam ligadas e o radar a funcionar como habitualmente. "Não vimos o ‘Herança do Mar' tal como eles não nos viram a nós. Foi um acidente tão normal como os que acontecem na estrada", considera. A Polícia Marítima está a investigar as causas da colisão

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