O ex-comandante da Polícia Municipal de Vila Nova de Famalicão disse ontem, em Tribunal, que o processo em que é acusado de peculato, denegação de Justiça e falsificação de documentos se deve a "uma péssima investigação" e ao "ódio" de quem o queria ver "pelas costas".

"Estavam mortos por me ver sair", disse o sargento-ajudante da GNR, Joaquim Leitão, que comandou a Polícia Municipal de Famalicão de 2004 a 2008. É acusado de, entre outros crimes e ilegalidades, ter perdoado multas de trânsito a amigos, desviado dinheiro, passado na Via Verde sem pagar e falsificado um documento para se manter mais tempo no comando da Polícia.

Ontem, na primeira sessão do julgamento, negou todas as acusações de que é alvo, tecendo, por diversas vezes, críticas duras à investigação da PJ e realçando que "havia um grupo de agentes que ficou revoltado quando soube que eu ficaria mais um ano".

Quanto ao documento que lhe permitiu continuar no comando da Polícia, assegura que nunca o viu e que "a Câmara considerou legal o prolongamento da comissão de serviço por ausência de resposta do Ministério da Administração Interna".

António Magalhães, antigo adjunto e actual comandante da Polícia Municipal de Famalicão, tido como testemunha-chave neste processo, acabou por não confirmar qualquer das acusações, referindo sempre que só sabia alguma coisa por "ter ouvido falar". O julgamento continua amanhã no Tribunal de Vila Nova de Famalicão.

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