Sintra ostenta o título de Património da UNESCO, recebe anualmente a visita de milhares de turistas estrangeiros e isso acaba por atrair muitos ladrões que atacam as pessoas na rua.

"Os carteiristas andam sempre ao ataque, mas isso tem sido combatido pela polícia. Já vi vários a serem detidos", afirma ao CM António Henrique, de 77 anos, nascido e criado na zona histórica. "O facto de haver muitos turistas por aqui acaba por ser um chamariz. Ficam sem máquinas fotográficas, malas, carteiras".

Nem o facto de o policiamento ser bem visível junto à zona histórica, como o CM comprovou no terreno, parece demover os carteiristas. "Nesta parte mais turística estão sempre dois e algumas vezes quatro polícias, mas nem isso é suficiente para afastar os ladrões. Ainda assim, acho que quem aqui mora se sente seguro."

Esta vigilância, contudo, não é do agrado de muitos outros moradores.

"Só se vêem polícias onde há turistas, mas Sintra é muito mais do que isso. A GNR tem de estar em todo o lado", conta Maria Alice Ribeiro, de 69 anos, comerciante na Portela de Sintra.

DISCURSO DIRECTO

Maria Alice Ribeiro, 69 anos, comerciante

Correio da Manhã – Os comerciantes sentem insegurança?

Maria Ribeiro – Sintra é um dos sítios mais bonitos do Mundo, mas nunca esteve tão insegura como agora. A partir das 18h00 o meu marido vem para o pé de mim, pois tenho medo de ficar sozinha na loja.

– Há falta de polícias na rua?

– Polícia aqui é só para turista ver, só patrulham no centro histórico. Esquecem-se de quem vive em Sintra e apenas querem deixar boa imagem junto dos estrangeiros.

– Quais os grandes problemas de quem vive em Sintra?

– Além dos roubos nas ruas há aí zonas que é só droga. Vê-se homens a chegar, a sentarem--se em bancos de jardins, e aparecem logo outros. É uma pouca-vergonha o que se vê aí nas ruas.

– As pessoas queixam-se muito de roubos?

– Ouve-se muitas pessoas a falar que já foram roubadas. Eu em casa tenho alarmes em tudo o que é sítio.

cm