Moody's baixa notas de BCP e Banif e mantém CGD

A Moody’s baixou em um escalão as notas atribuídas aos depósitos e à dívida dos bancos Comercial Português (BCP) e Internacional do Funchal (Banif) para B1 e manteve a da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Ba3.
A agência de notação financeira justifica, em comunicado enviado terça-feira à noite, a sua decisão com a adequação das notas à sua previsão de deterioração da economia portuguesa.
A Moody’s reviu em baixa a sua previsão de queda do produto interno bruto em 2013, de 0,3 por cento, que tinha adiantado em Agosto, para 1,2 por cento. Esta queda mais do que anula a ligeira melhoria na taxa de contracção prevista para 2012: dos 3,6 por cento estimados em Agosto para 3,3 por cento agora.
A Moody’s adianta ainda que, ao longo de 2012, estes três bancos viram “uma crescente porção” dos seus ganhos serem absorvidos pela desvalorização dos activos.
Ao mesmo tempo, acrescenta que a capacidade dos bancos para obter ganhos regulares que anulem estas “desvalorizações crescentes” tem sido afectada de forma significativa por maiores custos de financiamento, designadamente dos depósitos, pelo desendividamento e pelo aumento dos ativos não geradores de rendimento.
Por junto, a Moody’s confessa-se “preocupada que a prolongada recessão em Portugal vá exacerbar a intensa pressão sobre a já fraca capacidade de absorção de risco destes três bancos”.
Mesmo a melhoria dos níveis de solvência destes bancos, elogiada pela agência, não afasta preocupações, dadas “as condições muito negativas” da economia portuguesa, as quais podem comprometer o objetivo de desendividamento contemplado nos planos de recapitalização e financiamento aprovados pelo Banco de Portugal e pela 'troika'.
Acresce, ainda segundo a Moody’s, que a esperada deterioração generalizada na rentabilidade e na qualidade dos activos vá pressionar a base de capital dos bancos, o que aumenta a probabilidade da necessidade de um apoio público para anular as perdas nos balanços.
Também à melhoria no perfil de financiamento dos bancos em 2012 – mais desendividados e com uma base de depósitos resiliente - são contrapostos argumentos de sinal contrário.
A falta de acesso a fontes de financiamento de longo prazo aumenta a dependência destes bancos do Banco Central Europeu para obterem fundos. As incertezas sobre a economia portuguesa e a credibilidade do sistema bancário português, prevê a Moody’s, vai impedir estes bancos de normalizarem o seu acesso aos mercados de capitais no futuro previsível.
A este propósito, a Moody’s prevê que o BCP, o Banif e a CGD permaneçam dependentes do apoio do BCE durante algum tempo.

Fonte: Lusa/SOL