Nuno Santos, que se apresentou nesta quarta-feira na Comissão de Ética Parlamentar, começou por dizer aos deputados que foi vítima de “um caso de saneamento político, travestido de uma decisão de gestão”, classificando este processo como um “golpe de mão”.

“É evidente que eu era uma pessoa não grata para o governo em funções”, disse, acrescentando que, por exemplo, o “caso da licenciatura do ministro Miguel Relvas foi seguido com grande incómodo no Governo”.

O ex-director de informação da RTP foi mais longe, acrescentando que nos últimos meses sentiu “um desconforto crescente em alguns sectores do governo pela forma como a RTP tratava certas matérias”.

Este discurso mereceu a condenação do PSD. Através da deputada Francisca Almeida, o partido fez saber que considera que estas são “acusações gravíssimas”. “Não foi apontado um único facto. Não existiu nada que justifique este tipo de declaração”, afirmou à margem da audição.

No parlamento, Nuno Santos voltou a dizer que “em nenhum momento” deu autorização, “nem expressa nem velada, para o visionamento das imagens e muito menos para fazer cópias em DVD”.

Segundo o ex-director de informação, a 14 de Novembro “houve uma chamada da polícia para a redacção, para uma produtora, que se dirigiu a um conjunto de pessoas da direcção, dizendo que tinha sido contactada pela polícia, que queriam colaborar com a RTP no esclarecimento do incidente” com um carro de reportagem da estação durante os confrontos na Assembleia da República. Santos acrescentou que esta conversa esteve sempre focada no “incidente” e envolveu “quatro pessoas” sem, contudo, revelar nomes.

Questionado pelo CM à saída da audição, Nuno Santos não esclareceu o que lhe foi transmitido em concreto sobre a “colaboração” da PSP e a resposta que deu a esse pedido.

Nuno Santos recusou ainda esclarecer os deputados sobre o teor dos SMS trocados com o ex-subdirector Luís Castro, já publicados pelo CM, dizendo que só o faria se os jornalistas abandonassem a sala e as câmaras televisivas fossem desligadas. Sobre esta matéria acrescentou que se a administração “somou ao processo e-mails e SMS fê-lo violando um direito constitucional”. “Numa empresa de capitais públicos é muito grave”, disse.

cm