Um empresário do ramo imobiliário, José Carlos Gonçalves, sócio dos donos da Cimpomóvel – representante da Suzuki e que entrou recentemente em processo de falência –, foi ontem detido no âmbito da operação ‘Monte Branco’, que investiga a maior rede de evasão fiscal e branqueamento de capitais alguma vez detectada no País. A detenção acontece no mesmo dia em que é revelado que Portugal está entre os países do Mundo com maiores níveis de corrupção.

Ao que o CM apurou, José Carlos Gonçalves é suspeito de ter branqueado cerca de 25 milhões de euros através da rede liderada pelo ex-gestor da UBS Michel Canals. O empresário, que actuava sobretudo no negócio de imóveis, utilizaria os serviços de Francisco Canas, conhecido por ‘Zé das Medalhas’, para fazer chegar a Portugal dinheiro que tinha depositado em contas na Suíça.

Apesar de o nome do detido não ser muito conhecido no País, o CM sabe que o suspeito é tido pela investigação como um dos principais clientes de Francisco Canas. Nos últimos dias, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), auxiliado por elementos da inspecção tributária, realizou várias diligências, que culminaram na detenção do empresário. Ao que o CM apurou, foram realizadas buscas à sede da Cimpomóvel, cujos sócios partilham negócios do ramo imobiliário com o detido, e às respectivas residências.

A operação ‘Monte Branco’ partiu da investigação à Akoya, a rede criada por Michel Canals e que tinha por intermediário ‘Zé das Medalhas’, que disponibiliza as suas contas para, mediante uma comissão, fazer circular o dinheiro de nomes sonantes – banqueiros e empresários de renome, por exemplo – entre a Suíça e Portugal.

À hora de fecho deste edição, o empresário do imobiliário detido estava a ser presente ao juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, Carlos Alexandre.



PORTUGAL ESTÁ PIOR QUE BOTSWANA NA CORRUPÇÃO

Portugal está pior que do o Botswana quanto à corrupção. Segundo o Índice de Percepção da Corrupção de 2012, o nosso país ocupa a 33.ª posição em 176 países, tendo descido uma posição em relação a 2011 (32.ª) – o índice vai do menos corrupto (1.º) ao mais corrupto.

Os dados da Transparency International indicam que Portugal apresenta uma classificação de 63 numa escala de 0 (muito corrupto) a 100 (muito limpo). Na mesma posição, encontram-se o Butão e Porto Rico.

Na União Europeia (UE), Portugal surge em 15.º lugar, tendo abaixo apenas alguns países de Leste, a Grécia, Itália e Malta.

"O panorama é desastroso", comentou Paulo Morais, vice-presidente da associação cívica Transparência e Integridade (TIAC).

O investigador lembra que Portugal desceu quase 10 lugares no Índice de Percepção de Corrupção na última década – ocupava a 23ª posição em 2000.

"Depois desta época desastrosa de Portugal em termos de crescimento da corrupção, seria bom que viesse uma década regeneradora. Cabe à sociedade civil fazer pressão sobre os nossos líderes", defendeu .

Paulo Morais lembrou ainda que "há uma forte relação" entre o nível de desenvolvimento dos países e a corrupção, concluindo que os dados de Portugal permitem perceber que o potencial de desenvolvimento é "muito baixo".

Entre os países de língua portuguesa, Cabo Verde surge em 39º lugar, o Brasil na 69ª posição e São Tomé e Príncipe na 72ª.

‘JUSTIÇA’ EM CASO DE FRAUDE NAS FALÊNCIAS

"Importa dar um sinal à comunidade de que não há diferença de Justiça entre ricos e pobres", disse ontem no Tribunal de São João Novo, no Porto, a procuradora do Ministério Público nas alegações finais da repetição do julgamento de fraude nas falências. O MP pediu prisão efectiva para 11 arguidos – entre eles o liquidatário judicial Oliveira e Silva, que teve a pena mais pesada – por corrupção, peculato e participação em negócio; pena suspensa para cinco arguidos e a absolvição de um.

cm