Portugal tem a frota de veículos novos ligeiros mais eficientes e ecológicos da União Europeia (UE), segundo um estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente divulgado esta quarta-feira pela Quercus.

"Portugal ocupa o 1.º lugar na Europa, com menores emissões de dióxido de carbono dos veículos novos vendidos em 2011", refere a associação ambientalista que faz parte da federação europeia dos transportes.

No ano passado, os novos veículos ligeiros de passageiros em Portugal, emitiram, em média, 122,8 gramas de dióxido de carbono por quilómetro (gCO2/km), seguido por Malta (124,5gCO2/km) e pela Dinamarca (125gCO2/km), conclui o estudo da federação europeia de transportes.

A ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território (MAMAOT) congratulou-se com esta "boa notícia" que se junta ao facto de Portugal ter o terceiro melhor desempenho entre 58 países no que respeita a políticas relacionadas com alterações climáticas.

"São boas notícias para Portugal e devem ser lidas como um estímulo, nesta altura em que o país sofre com a crise e precisa lançar novas âncoras para reinventar e recriar a sua economia à luz destes bons exemplos", disse Assunção Cristas à agência Lusa, numa conversa telefónica, a partir de Qatar, onde participa na conferência da ONU sobre alterações climáticas.

Para a governante, a economia do futuro deve ser "mais verde e sustentável, assente numa dinâmica de baixo carbono" e Portugal "pode aproveitar a crise para reconverter muitas coisas no sentido de uma economia de baixo carbono, mais equilibrada" nas vertentes económica, ambiental e social.

"Sabemos que há caminhos de desenvolvimento nestas vertentes que são positivos, geram emprego e riqueza e nós podemos estar na linha da frente", realçou a ministra e apontou os exemplos das energias renováveis, floresta, agricultura sustentável, uso eficiente da água e melhor aproveitamento dos resíduos.

O desempenho positivo de Portugal deve-se a uma frota média dominada por veículos de dimensões mais reduzidas e menos poluentes do que a média dos países da UE e a uma carga fiscal que beneficia as viaturas com menos emissões.

O comunicado da Quercus acrescenta que a crise económica terá também resultado no decréscimo das vendas de novos veículos ligeiros, destacando os mais eficientes.

Francisco Ferreira, da Quercus, citado no comunicado, salienta que "o peso dos veículos é determinante para reduzir o consumo de combustível e emissões e obter grandes poupanças em facturas de combustível, e muito pode ainda fazer-se neste campo".

O estudo sustenta que os fabricantes de automóveis europeus estão a ter um melhor desempenho do que a maioria dos concorrentes asiáticos, num esforço para atingir a meta de redução das emissões para os novos veículos de 95 gCO2/km em 2020.

Em 2011, a indústria automóvel conseguiu reduzir os consumos de combustível e as emissões de CO2 em 3,3% e, quatro anos antes da data prevista, a meta de 130 gCO2/km para 2015 está apenas a 4% de distância.

Entre as principais marcas automóveis, a Fiat, a Toyota e a Peugeot-Citroën já atingiram, em 2012, a meta de emissões para 2015, acrescenta o comunicado.

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