Ana Saltão, a inspectora da Polícia Judiciária do Porto que está presa por homicídio qualificado, encontra-se no Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos, numa ala de segurança.

A investigadora está protegida das restantes reclusas para evitar ser alvo de represálias e também para poder ser acompanhada clinicamente. Tem direito a estar duas horas sozinha no recreio, por dia, e faz as refeições na cela.

A mulher, de 38 anos, não deverá ser transferida para o Estabelecimento Prisional de Évora. É que a cadeia – especialmente criada para forças de segurança – não terá condições suficientes para receber reclusas femininas. Ana Saltão deve, assim, requerer ao director-geral a permanência em Santa Cruz do Bispo, o que deverá ser concedido.

Segundo o CM apurou, o marido da polícia, também ele inspector da PJ na mesma directoria, continua de baixa. O investigador tinha-se afastado do serviço antes mesmo da detenção da mulher, mal se apercebeu que as suspeitas dos colegas recaiam sobre ela.

A entrada de baixa por razões psicológicas deu-se na mesma altura em que a equipa que investigava o homicídio – uma brigada com elementos do Porto e de Coimbra – pediu que as armas do casal fossem sujeitas a exames de balística. O objectivo era compará-las com os projécteis apreendidos na casa de Filomena Gonçalves, de 80 anos, avó do marido de Ana Saltão.

A Glock nove milímetros usada para matar a idosa continua desaparecida. As autoridades não têm esperança de a recuperar, já que a inspectora teve muito tempo para se desfazer da arma que terá sido roubada à colega da brigada que combate o crime económico. Nos próximos dias, Ana Saltão deve entregar, na Relação de Coimbra, um pedido de revogação das medidas de coacção

cm