Julie Carrette admite que era "os ouvidos e olhos do pai", Jacques Carrette, ambos franceses e suspeitos de pertencerem à máfia marselhesa, numa operação de tráfico de 872 quilos de cocaína, da Venezuela para Portugal, em Junho de 2011.

Mas, a duas semanas da chegada da droga, um acidente de moto na A22, entre Portimão e Faro, matou Jacques, cabecilha da rede, e a filha assumiu as rédeas do negócio. A mulher e um cúmplice, Pierre Buroni, foram detidos pela Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ, em Faro. Outros dois homens foram detidos na Martinica, Caraíbas, pelas autoridades francesas, a bordo do veleiro que transportava a cocaína para a Europa.

"Havia muita gente envolvida, tive medo. Por isso, quis acabar o que o meu pai começou", explicou Julie Carrette, 37 anos, no Tribunal de Faro, onde começou ontem a ser julgada, juntamente com Buroni. Perante o colectivo de juízes, Julie explicou ter começado a ajudar o pai no tráfico em 2011, e garantiu que apenas passou a "coordenar a operação após a morte" de Jacques Carrette. "Estabelecia a ligação entre os diferentes elementos" da rede na América do Sul, confessou em tribunal.

Julie coordenava toda a operação a partir de uma vivenda em Montenegro, arredores de Faro, onde foi detida pela PJ, com Pierre Buroni, a 27 de Junho de 2011. Buroni, que tinha um semi-rígido, teria como função encontrar--se com o veleiro que transportava a cocaína ao largo de Lagos e trazer a droga para terra. Na moradia, as autoridades encontraram armas, munições, equipamento electrónico diverso e, em particular, para comunicações marítimas, GPS, dinheiro de vários países, jóias e inúmeros relógios de elevado valor.

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