"Eu pensava que apenas havia o condutor dentro do carro. Só mais tarde é que percebi que ao lado dele estava a mãe, já morta, mas o carro estava de tal maneira desfeito que eu nem a consegui ver".

Foi assim que o camionista José Seabra descreveu o cenário que encontrou no Honda Civic que se enfiou debaixo do camião que conduzia, às 08h20 de ontem, na EN115, em Vale de Flores, Alenquer.

Virgínia Ramos, de 49 anos, que seguia à pendura, teve morte imediata. E o filho Pedro, de 24, que conduzia o carro, foi levado em estado grave para o Hospital de São José, em Lisboa.

Pedro e Virgínia, moradores na localidade de Cadafais, a aproximadamente dois quilómetros do local do acidente, deslocavam-se para Alverca. Pedro ia para o seu segundo dia de trabalho numa empresa de telecomunicações, enquanto a mãe, mulher-a-dias, ia para uma casa daquela cidade.

No entanto, ao quilómetro 19 da EN115, numa curva que a população classifica de "muito perigosa" e onde ocorrem "inúmeros acidentes", o Honda Civic atravessou-se e embateu lateralmente na frente do pesado, que transportava espuma de colchões para uma empresa de Arruda dos Vinhos. "Quando vi o carro este já vinha em despiste. Ainda me atirei para a berma mas o carro veio enfiar-se debaixo de mim. Apanhei um dos sustos da minha vida", disse ao CM José Seabra, natural de Anadia e camionista há cerca de 12 anos.

"Fiquei em choque, mas saí do camião e tentei ir socorrer o rapaz. Mas estava tudo torcido e o rapaz já nem sequer dizia coisa com coisa".

Os bombeiros chegaram rapidamente ao local e depararam-se com um cenário de ferro torcido. O aparato do acidente, que poderá ter-se devido ao piso molhado, levou a que a circulação tivesse sido interrompida até às 12h30.

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