O Hospital Garcia de Orta, em Almada, tem recusado adesivos para minorar as dores de uma mulher de 40 anos a quem foi amputada uma perna devido a um erro médico.

Foi a 18 de Março que Anabela Borges deu entrada na unidade hospitalar para se submeter a uma remoção de varizes, mas na intervenção cirúrgica foi cortada uma artéria em vez de uma veia.

Ainda foi 12 vezes ao bloco operatório, para que os médicos tentassem emendar o erro, mas sem sucesso: a paciente acabou por se ver amputada da perna esquerda, cinco centimetros abaixo do joelho.

O Hospital Garcia de Orta reconheceu na altura o erro médico, instaurou um processo disciplinar e prontificou-se na ajuda da recuperação da utente.

Anabela deu início à fisioterapia para tentar ganhar movimentos no resto da perna. No entanto, para que a recuperação seja completa, a mulher residente na Charneca de Caparica, necessita de adesivos especiais que retiram as dores, e que custam em média 90 euros por caixa.

Solicitou estes adesivos há quatro meses, mas não obteve resposta do hospital. "São fitas que o meu fisioterapeuta usa. Há varias cores para várias funções, uma cor é para as dores e outra para as cicatrizes. Da primeira vez, o hospital perdeu a receita e agora dizem que o pedido está a ser analisado", disse ao CM Anabela Borges.

Contactado pelo CM, o Hospital Garcia de Orta respondeu que houve um atraso na entrega deste material, garantindo que o mesmo chegará à utente no final desta semana.

PRÓTESE CHEGA NO NATAL

Uma vez que ficou sem parte da perna, Anabela precisa de uma prótese especial. A perna foi cortada apenas três centímetros acima do limite para a utilização de uma prótese, o que dificulta a adaptação a uma 'perna' artifical.

Já está encomendado um dispositivo, moldado ao desenho da perna de Anabela, e que será fabricado na Finlândia. Esta perna artificial deverá chegar pelo Natal.

"Estamos muito felizes por termos finalmente uma boa noticia", disse ao CM Augusto Borges, marido de Anabela.

Ainda assim, a família continua revoltada com tudo o que aconteceu. "Espero que seja feita justiça, e que não façam o mesmo que me fizeram a mim a outros doentes", diz Anabela, que na altura da amputação trabalhava num lar de idosos.

Desde então, está incapacitada para o trabalho e permanece em casa. Recebe um terço do ordenado, não atingindo os 400 euros. Por seu lado, Augusto está de baixa médica psicológica, para poder acompanhar a mulher.

"As dificuldades de adaptação têm sido muitos, encontro obstáculos em todo o lado, até mesmo em minha casa", explica Anabela.

"Os meus dois filhos evitam olhar [para a perna] quando vêm ter comigo: viram a cara para o lado, isolam-se muito nos quartos, não há palavras para o que me aconteceu", lamenta a vítima de erro médico no Hospital Garcia de Orta.

cm