A tensão sobe de tom no Egipto, um país dividido entre opositores e apoiantes de Mohamed Mursi, que se envolveram de novo em confrontos no Cairo. Os tanques voltaram às ruas da capital, e o presidente dirigiu- -se ontem à nação, exortando ao diálogo e reconciliação nacional.

"Apelo a um diálogo abrangente entre os representantes dos partidos, jovens revolucionários e outras personalidades" – afirmou Mursi num discurso televisivo, marcando o encontro reconciliatório para amanhã, no palácio presidencial. O chefe de estado prometeu que estará aberto a discutir o futuro do Parlamento e a lei eleitoral, mas , quanto ao referendo à nova Constituição, um dos pomos da discórdia, foi peremptório ao afirmar que a data, o próximo dia 15, se mantém.

O discurso seguiu-se aos violentos confrontos entre islamitas da Irmandade Muçulmana (de Mursi) e opositores em frente ao palácio presidencial, que causaram sete mortos e centenas de feridos. Perante o caos, a Guarda Republicana montou um perímetro de segurança, dispersou os manifestantes e, os tanques avançaram para as ruas do Cairo.

A tensão é grande num país dividido, desde que Mursi blindou, no mês passado, os seus poderes. A oposição laica considera a medida uma deriva autoritária e protesta contra o referendo à nova Constituição, que acusa de não garantir a liberdade de expressão e religiosa, deixando o país à mercê da lei islâmica.

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