Ex-presidente terá burlado Beira-Mar em 1 milhão

Mano Nunes, empresário e antigo presidente do Beira-Mar, é suspeito de ter cometido um crime de burla qualificada por alegadamente se ter apropriado de um milhão de euros do clube, resultantes do negócio das piscinas efetuado entre a Câmara de Aveiro, Beira-Mar e a imobiliária Nível II, em 2009, quando liderava uma comissão administrativa do clube.
A PJ informou, na quinta-feira, que "identificou e notificou para se apresentar às autoridades judiciárias, para aplicação de medidas de coação, um homem pela presumível autoria do crime de burla qualificada". O arguido, "na sequência da celebração de um contrato de aquisição de compra e venda de um terreno, em Aveiro, mediante artifício fraudulento, ter-se-á apropriado ilicitamente de cerca de um milhão de euros, correspondentes ao preço do mencionado terreno".
Mano confirma
O JN sabe que o suspeito é Mano Nunes, que na quinta-feira confirmou ter sido notificado para prestar declarações às autoridades na próxima semana. "Nunca falei com a PJ e não sei se sou arguido por burla. E não falo sobre as contas do Beira-Mar", afirmou.
O processo remonta a julho de 2009, quando a Câmara, liderada pelo atual presidente, Élio Maia, vendeu ao Beira-Mar os terrenos onde estavam implantadas as piscina do clube. O negócio foi feito por 1,2 milhões de euros, mas poucas horas depois o clube vendeu os referidos terrenos mais os edifícios das piscinas por 2,5 milhões de euros à Nível II.
Nesse negócio, onde esteve, entre outros, Mano Nunes, que curiosamente não assinou o cheque do clube (Finibanco) para a Câmara, os dirigentes pediram aos autarcas para não descontarem de imediato o cheque porque precisavam primeiro de concretizar o negócio com a Nível II. O pedido foi respeitado pela Câmara, que dias depois viu o cheque que tinha depositado numa sua conta da Caixa Geral de Depósitos ser devolvido "sem qualquer justificação do Finibanco, que alegava sigilo bancário", conta uma fonte ao JN.
Sem dinheiro e explicações, e prevendo complicações, Élio resolve contar o caso à PJ. A investigação concluiu, sabe o JN, que foi Mano Nunes que deu ordem por escrito ao Finibanco para não pagar o cheque à Câmara e que, dias depois, transferiu "cerca de um milhão de euros", como diz a PJ, para uma sua conta, alegadamente para pagar adiantamentos feitos ao clube. Semanas depois, demitiu-se.

Fonte: Jornal de Notícias