Quando foi descoberta no monte isolado e degradado, em Vale de Vargo, Serpa, onde vivia com os pais e a irmã mais velha, Ana de Fátima nem parecia uma adulta de 33 anos. Com problemas de desenvolvimento e sem contacto com o "mundo exterior" depois de ter abandonado a escola aos oito anos, a mulher apresentava diversas mazelas e comportamentos desajustados para a idade e próprios de criança.

"Ela está quase num estado animal. Não sabe comer e tem dificuldade em comunicar, mas tem um olhar com uma jovialidade incrível", conta a directora do Centro Distrital de Beja da Segurança Social, Helena Barreto.

O alerta para o caso de Ana de Fátima surgiu há cerca de dois meses, pela mão da Junta de Freguesia de Vale de Vargo e outras instituições locais.

Os pais, Alfredo Rato, 74 anos, e Perpétua Rato, de 68, vivem com dificuldades económicas, situação agravada pelo facto de a mãe da mulher estar a recuperar de um acidente vascular cerebral (AVC). Um quadro que levou os técnicos da Segurança Social a encaminhar, no dia 29 de Novembro, Ana de Fátima com "carácter de urgência e emergência social" para o Centro Social e Paroquial de Brinches, também no concelho de Serpa.

"Foram-lhe prestados todos os cuidados de humanização e integração numa comunidade social", afiançou ao CM o director da instituição, o padre Nuno Sousa. O pároco de Vale de Vargo garante igualmente que a "aprendizagem de ‘ser social’ de Ana de Fátima se fará com o tempo". "O encaminhamento da jovem já foi resolvido. Se forem necessários outros processos para uma melhor e mais humana integração da Ana, tudo faremos para os acentuar e concretizar", disse o responsável.

cm