Não posso deixar de sorrir de tão estapafúrdio que tudo isso é." Foi desta forma que Jorge Sampaio, ex-Presidente da República, falou ontem sobre as prendas que José Penedos recebia no Natal – e que segundo a Acusação seriam as contrapartidas por favorecer as empresas de Manuel Godinho.

Sampaio, que depôs no Tribunal de Aveiro como testemunha do antigo presidente da REN, referiu que Penedos era "honestíssimo" e que seguia um "código de conduta rigoroso".

Questionado pela defesa do arguido, o antigo Chefe de Estado explicou que também recebeu centenas de presentes pessoais e institucionais e que nunca se sentiu condicionado por isso. "É um costume generalizado. Nunca estive em empresas públicas, mas sei que acontece", referiu Jorge Sampaio, que considera "irrelevantes" os centros de mesa ou as canetas que José Penedos recebeu do sucateiro de Ovar.

Ainda no início do depoimento, o antigo Presidente da República disse que iria apenas falar sobre o "carácter rigoroso de José Penedos", com quem tem "uma amizade à prova de bala" desde 1978. Sobre Paulo Penedos, filho do ex-presidente da REN, Sampaio não quis tecer grandes comentários. "Sei apenas que o pai se preocupava com o excesso de exuberância do filho, mas tinham uma relação de grande cumplicidade", concluiu o conselheiro de Estado.

Defesa fala em "mensagem"

No final do depoimento de Jorge Sampaio, o advogado de José Penedos revelou estar satisfeito com o decorrer do julgamento e falou ainda numa "mensagem" que o antigo Chefe de Estado quis passar com a sua presença no Tribunal de Aveiro. "Não sou eu que vou fazer essa interpretação, mas acho que ficou bem claro", disse Rui Patrício, recusando dar mais explicações. Sobre o testemunho de Sampaio, o causídico não teceu qualquer comentário, mas considerou-o importante para a defesa, principalmente por ser a segunda vez que o ex--Presidente da República depõe a favor de Penedos – já o fizera na fase de instrução do processo. "Se o indiquei novamente é porque o depoimento é importante", justificou o advogado.

cm