Há 20 anos que José Guerra, cego, de 60 anos, percorria o mesmo caminho da Casa Municipal da Cultura de Coimbra, onde trabalhava, para casa. Ontem, ao sair do serviço, desorientou-se e caiu de uma altura de seis metros. Teve morte imediata.

O acidente ocorreu ao final do dia na rua Pedro Monteiro. José Guerra, que era responsável pelo gabinete de audiovisuais e de apoio a deficientes visuais, na Casa Municipal da Cultura, embateu num muro de 80 centímetros e caiu sobre o asfalto, num parque de estacionamento, junto ao jardim da Sereia. "Andava sempre acompanhado da Luca, um cão-guia. Se o tivesse trazido, tinha-lhe salvo a vida", diz, visivelmente consternada, Maria José Azevedo Santos, vice-presidente da Câmara de Coimbra. Ontem, como tinha de ir à piscina, não levou a cadela.

Um homem que passava na rua ainda o tentou segurar, mas não conseguiu. Uma equipa do INEM tentou reanimá-lo, mas não resistiu. A notícia deixou os colegas em choque, e a Casa da Cultura suspendeu todas as actividades que estavam previstas.

José Guerra, que ficou cego na guerra colonial, foi director da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, em Coimbra, durante vários anos. Na Casa da Cultura, editou uma revista em braille em formato digital e dinamizou um projecto de leitura e gravação de livros.

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