Após uma hora de interrogatório, Mano Nunes abandonou ontem as instalações do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Aveiro sem conhecer as medidas de coacção. O antigo presidente da Comissão Administrativa do Beira-Mar continua a ser ouvido na próxima semana, no âmbito do processo em que é suspeito de burlar a Câmara de Aveiro em um milhão de euros. Para já, fica apenas sujeito a Termo de Identidade e Residência.

O ex-dirigente pediu e dispõe agora de alguns dias para reunir documentação que lhe permita preparar a defesa do crime de burla qualificada do qual é acusado e que pode mesmo valer-lhe a prisão preventiva. Só no final do interrogatório – que inicialmente até esteve marcado para a passada quinta-feira – é que a juíza de instrução vai decidir a medida de coacção a aplicar.

Já depois de prestar declarações sobre a venda das piscinas municipais ao Beira-Mar, por 1,2 milhões de euros, o ex-dirigente do clube saiu do TIC acompanhado da sua advogada. Esse negócio, feito num sábado à noite e num notário privado, foi ruinoso para a autarquia – no dia seguinte, o Beira-Mar vendeu o terreno a uma imobiliária e obteve um encaixe de 2,5 milhões.

Dos 1,2 milhões, apenas 200 mil euros foram pagos à autarquia. Na investigação, a PJ de Aveiro descobriu que o ex-dirigente se terá apropriado de um milhão. O CM conseguiu falar com Mano Nunes, mas o antigo dirigente recusou-se a prestar qualquer esclarecimento sobre o crime de que é suspeito.

cm