Os portugueses desperdiçam um milhão de toneladas de alimentos por ano, ou seja, 98 quilos por habitante, o correspondente a 17% dos produtos que integram a cadeia alimentar. As perdas mais relevantes ocorrem nos cereais. Deitamos fora 38% dos cereais, ou seja, 17 quilos por habitante, com particular relevância para o trigo. Os consumidores são responsáveis por um terço (33%) do pão que vai para o lixo. As padarias, por dificuldade em estimar as vendas de pão do dia, representam 25% do desperdício.

O primeiro estudo sobre o desperdício alimentar feito em Portugal é apresentado quinta--feira na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. ‘Do Campo ao Garfo - Desperdício Alimentar em Portugal’ revela que, na produção agrícola, são perdidas 332 mil toneladas de alimentos. Por sua vez, na indústria, nomeadamente de embalamento, a perda é de 77 mil toneladas. Na cadeia de distribuição, que engloba os estabelecimentos comerciais, os alimentos condenados ao lixo são 298 mil toneladas. Por fim, os consumidores deitam fora 324 mil toneladas de alimentos. Além dos cereais, as perdas domésticas são igualmente elevadas nas raízes e tubérculos (batata e cenoura) e na fruta.

As principais razões que levam as famílias a deitar fora comida são: alimentos estragados, cozinhados em excesso ou sobras insuficientes para serem reutilizadas.

Os resultados obtidos pelo Projecto de Estudo e Reflexão sobre Desperdício Alimentar (PERDA) indicam, contudo, que o desperdício nacional é um terço do europeu. Face aos 98 quilos de comida que cada português desperdiça, a FAO estima que no conjunto da Europa, os estragos atinjam os 280 quilos por pessoa. Os dados divulgados contrastam com o facto de 24% da população ser carenciada.

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