"Temos tido uma atitude cívica, mas o Governo qualquer dia pode ter uma surpresa. As pessoas estão indignadas e a revolta pode acontecer a qualquer momento". João Vasconcelos, da Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI), falava no protesto de ontem contra as portagens na A22, no Algarve. Poucos minutos depois, manifestantes, que tentavam cortar a EN125 com uma faixa, envolviam-se aos empurrões com a GNR. A situação foi controlada sem incidentes de maior.

"As autoridades só fizeram isto demorar mais, apenas queríamos cortar a estrada um minuto, numa acção simbólica, assim perderam-se quatro ou cinco", referiu, depois do incidente, João Vasconcelos. O protesto, com início às 16h00, decorreu na EN125, entre as Quatro-Estradas, Quarteira, e a rotunda de Boliqueime. Perto de 50 carros, com constantes buzinadelas, percorreram cerca de cinco quilómetros da via, dificultando a circulação.

Em dois locais pararam para instalar memoriais em honra das vítimas mortais de acidentes na EN125 este ano. Junto a um deles, a CUVI anunciou a intenção de processar o Governo. "Temos tido reuniões com um conjunto de advogados para processar criminalmente os responsáveis pela introdução de portagens na A22, pelas mortes que têm ocorrido na EN125", adiantou João Vasconcelos.

Esta foi a 12ª marcha de protesto contra as portagens na A22 organizada pela CUVI.

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