Nem o facto de estar com a neta ao colo demoveu Ferreira da Silva, pai de uma juíza. A menina, na altura com 3 anos, assistiu à trágica morte do pai, Cláudio Rio Mendes, de 36 anos, e tal foi uma agravante para os juízes na hora de aplicar a pena ao engenheiro. O homicida apanhou anteontem 20 anos de prisão pelo crime cometido a 5 de Fevereiro do ano passado, no parque da Mamarrosa, em Oliveira do Bairro.

"É claramente chocante a circunstância do Cláudio ter sido morto na presença da própria filha, que inclusivamente se encontrava ao colo do arguido. Nem a neta o dissuadiu de ter este comportamento, revelando uma atitude altamente censurável e reprovável, muito além do que é normal encontrar num homicida", lê-se no acórdão do Tribunal de Anadia.

O colectivo de juízes salienta que o vídeo do crime foi bastante importante para a decisão e que nas imagens foi possível ver que o arguido, de 63 anos e que já está na cadeia, estava em superioridade numérica e que por isso podia ter resolvido a situação de outra forma.

"O arguido estava rodeado de amigos e familiares e ainda tinha a neta ao colo. O Cláudio Rio Mendes estava indefeso", concluiu o colectivo de juízes, presidido pelo magistrado Jorge Bispo.

Os magistrados salientam ainda no acórdão a importância das mensagens no Facebook que Cláudio, que era advogado, foi deixando na sua página antes de morrer. Tal permitiu que o tribunal percebesse o quanto aquele amava a filha.

"Em todas essas mensagens são bem patentes os sentimentos que Cláudio Mendes nutria pela sua filha, o desejo que tinha em manter com ela um relacionamento paternal e as dificuldades que lhe eram colocadas pelos familiares maternos da mesma", diz o acórdão. A defesa de Ferreira da Silva avançou logo após a sentença que vai recorrer.

NAMORADA DA VÍTIMA GRÁVIDA DE UMA MENINA

A namorada de Cláudio Rio Mendes, que estava presente no parque da Mamarrosa, em Oliveira do Bairro, estava grávida de uma menina na altura do crime. Maria da Conceição Carlos perdeu, no entanto, o bebé após a tragédia. No acórdão condenatório está explícito que a vítima estava bastante contente antes da morte e que tinha já inclusive contado a todos os familiares que ia ser novamente pai. O advogado tinha, aliás, já revelado que queria que a filha se chamasse Cláudia.

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