Durante mais de dez anos, Amílcar, 73 anos, sofreu em silêncio às mãos da mulher, Maria de Fátima, 20 anos mais nova, que até instalou um amante na residência do casal, no concelho de Porto de Mós. Eram constantes os insultos, as agressões e as ameaças com uma arma – que deixavam o idoso em permanente estado de sobressalto e terror.

O pesadelo só terminou há poucas semanas, quando, por ordem do tribunal, a mulher foi afastada de casa. Maria de Fátima está acusada agora pelo Ministério Público de um crime de violência doméstica, aguardando o julgamento em liberdade.

Os maus tratos começaram logo após o casamento, em 2001, mas pioraram a partir de 2005, altura em que a mulher mudou as fechaduras das portas de casa, com excepção do quarto de Amílcar. O idoso tinha o quarto para si, mas era obrigado a dormir numa cama sem colchão e não podia utilizar a casa de banho, que estava trancada, assim como o frigorífico.

Impedido de satisfazer as suas necessidades básicas, de higiene e de saúde, o homem teve ainda de suportar a presença de um amante da mulher agressora, que a partir de 2006 se instalou, de uma forma permanente, na residência do casal.

As últimas agressões, sobretudo à chapada, de que a mulher está acusada ocorreram já este ano, quando Maria de Fátima arrombou a porta do quarto do marido e o ameaçou com um afiador de facas. Era também ameaçado com uma caçadeira.

O medo e a inquietação foram-se instalando na vida do idoso, que viu afectadas as suas capacidades mentais, físicas e psíquicas, sofrendo actualmente de uma "anomalia psíquica grave", diz a acusação. Nem depois de decretado o divórcio Fátima saiu de casa, que por herança é da vítima, tendo sido o tribunal a decidir o afastamento.

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