Crise é uma "grande oportunidade" para diminuir corrupção

A procuradora-geral adjunta do Ministério Público, Cândida Almeida, afirmou nesta segunda-feira que a crise actual é uma "grande oportunidade" para diminuir a corrupção nas empresas e na Administração Pública portuguesa.

"Prefiro ver na actual crise uma grande oportunidade para diminuir a corrupção nas empresas e na Administração Pública porque é a ocasião para os eventuais corruptores activos dizerem não", disse Cândida Almeida que falava no lançamento do projecto "GestãoTransparente.org - Guia Prático de Gestão de Riscos de Corrupção nas Organizações", que decorreu no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.

As empresas portuguesas, em particular as de pequena dimensão, que estão ou pretendam internacionalizar-se, vão poder a partir de agora ter acesso a um site na Internet que lhes dará "uma informação completa sobre os riscos de corrupção" para que possam exercer uma gestão transparente e que lhes permita serem mais competitivas.

Na ocasião, Cândida Almeida, que é também directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), congratulou-se com o lançamento do site, um projecto pioneiro a nível mundial, que as empresas poderão usar como instrumento na procura da internacionalização.

"Este é um sistema preventivo contra a corrupção", disse a procuradora-geral adjunta, explicando que, normalmente e em situações de cise como a que vivemos "para haver corrupção passiva é preciso que haja corrupção activa, que tem a ver com as empresas e a sociedade civil".

"Não estamos a falar da corruptela (pequena corrupção)", salientou.

O guia prático de gestão de riscos de corrupção, hoje apresentado, além de ser grátis para quem o utilizar, em particular para as pequenas e médias empresas, exigiu "muita imaginação", pois custou 10 mil euros, disse à agência Lusa o director do Inteli, Centro de Inovação orientado para um novo modelo de desenvolvimento económico e social sustentável da economia portuguesa, Gualter Crisóstomo, destacando também que vem preencher "uma lacuna muito importante no combate à corrupção".

As pequenas e médias empresas que queiram internacionalizar-se para diferentes geografias, sobretudo fora da União Europeia, podem através deste site conhecer o nível de risco de corrupção a que estão expostas, avançou à Lusa aquele responsável, sublinhando o carácter transversal do novo instrumento.

Trata-se de um simulador, tem legislação muito completa, é também um glossário e poderá ser útil na orientação das decisões das empresas, reduzindo "os custos da sua exposição" a más opções de internacionalização, frisou.

Para o presidente da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Pedro Reis, o aparecimento deste guia reveste-se de "particular importância", pelo que a agência vai participar na sua divulgação como complemento do trabalho que faz ao nível da internacionalização das empresas portuguesas.

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