Bruno Paiva e Célia Silva, desempregados, temem pelo bem-estar do filho, Gabriel, de apenas 8 meses. Sem apoios, o casal, que recebe 140 euros de abono de família, vive numa pequena casa sem quartos, em Lisboa, graças à solidariedade dos amigos que, este mês, pagaram os 270 euros de renda. No frigorífico falta comida e das poupanças restam 20 € em dinheiro e um saldo negativo de dois cêntimos no banco.

"Estou desempregado desde Setembro. A pastelaria onde trabalhava fechou. O que me preocupa é o meu filho. Prefiro passar fome a faltar-lhe alguma coisa", disse Bruno Paiva, de 29 anos. Célia Silva, brasileira de 37, tem o visto de residência caducado há dois anos. "A situação complicou-se quando fiquei grávida. Fiquei desempregada. Não tenho dinheiro para comprar comida para o meu bebé, como vou pagar o visto?", questiona.

O recurso à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) foi já em desespero. "Disseram-me que só tinham vaga para uma entrevista com a assistente social em Janeiro. Até lá, como dou de comer ao meu filho? Se no final do mês não tiver dinheiro, vou para a rua", lamentou Bruno. Contactada pelo CM, a SCML remeteu para hoje um esclarecimento.

Já em Casal Vicente, Amadora, a família Ferreira, com três menores, continua a gerar uma grande onda de solidariedade. "Há pessoas a oferecerem ajuda, mas ainda não recebemos nenhuma entrega", explicou o pai, Manuel Ferreira.

Para Manuel Morujão, porta--voz da Conferência Episcopal Portuguesa, "pedir ajuda não é humilhação". "A humilhação é para todos nós, que passamos bem e que não ajudamos suficientemente aqueles que têm urgência em ser ajudados".

cm