Foi a situação de desemprego de Jorge que atirou a família Oliveira para um carro antigo, onde viveu durante seis dias. Há cerca de dois meses, Jorge perdeu o emprego. Aos 47 anos, já trabalhou como técnico de fechaduras e distribuidor de pizzas. Tem procurado trabalho: "Dizem que já sou velho, ninguém me aceita."

A família ficou sem o único sustento e, por isso, a renda da casa não foi paga: foram viver para o carro. Actualmente, moram num apartamento na Costa da Caparica (Almada), cedido pela Segurança Social. "Deram-nos 300 euros para a renda desta casa, está paga até Janeiro. Se não arranjar emprego, não temos como pagar as próximas mensalidades", conta Maria Garcia, mulher de Jorge, e que tem sete filhos. Destes, três vivem com o casal: dois são menores. O único sustento é o ordenado que a filha de 17 anos leva para casa: 95 euros como distribuidora de pizzas, a que se juntam 76 euros de rendimento mínimo do casal.

"Tem sido muito difícil, tivemos de vender o recheio da casa para comer, ficámos sem nada, temos a roupa do corpo. O que mais me custa é os meus filhos quererem comer e não ter nada para lhes dar", diz Maria.

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