Mais de um milhão de portugueses não têm médico de família, 400 mil dos quais vivem na região de Lisboa e Vale do Tejo. Segundo dados da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), nos últimos três meses, o número de pessoas sem médico de família baixou drasticamente de 780 151 utentes para 400 mil. "Estamos a trabalhar para melhorar o acesso aos cuidados de saúde, mas a crise económica vai fazer abrandar a abertura de novos centros de saúde", afirmou ontem ao CM Luís Pisco, vice- -presidente da ARSLVT.

O responsável falava na inauguração da Unidade de Saúde Familiar Ribeiro Sanches, que funciona provisoriamente em contentores no Casal de São Brás, na Amadora, e vai atender 18 100 utentes, 6000 dos quais sem médico de família.

Neste milhão de utentes, deverão estar pessoas que já morreram e cujo nome não foi retirado das listas dos centros de saúde. Os sindicatos dos médicos defendem a limpeza desses ficheiros, mas criticam a forma como ela começou a ser feita: em algumas unidades, foram retirados os nomes de utentes que não compareciam há três anos. A operação foi suspensa.

Pilar Vicente, da Federação Nacional dos Médicos, defende que os centros de saúde devem fazer o cruzamento de dados para expurgar das listas os nomes de pessoas mortas e a duplicação de inscrição.

O problema, refere, é que as cinco Administrações Regionais de Saúde têm sistemas informáticos diferentes, tal como os vários Agrupamentos dos Centros de Saúde, pelo que é difícil o cruzamento de dados para saber quem morreu ou está inscrito em mais do que uma unidade.

À espera de inscrição na nova USF da Amadora está Francisco Fernandes, 74 anos: "Há 15 anos que não tenho médico de família e quando vou ao centro de saúde não consigo ter consulta, tenho de ir às Urgências do hospital."

cm