Os portugueses têm a obrigação de contribuir para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) prevenindo doenças e recorrendo menos aos serviços, declarou o secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde, Leal da Costa.

"Se nós, cada um dos cidadãos, não fizermos qualquer coisa para reduzir o potencial de um dia sermos doentes, por mais impostos que possamos cobrar, o SNS será, mais tarde ou mais cedo, insustentável", sublinhou o governante.

Segundo disse, é importante que a sustentabilidade do SNS seja encarada como uma "obrigação de cada pessoa", tendo em conta que, nesta altura, os portugueses têm uma "elevadíssima carga fiscal" que é imposta pela necessidade de manter os serviços públicos.

Os consumos do tabaco e do álcool e a diabetes são exemplos de problemas para saúde que são preveníveis e que representam, em conjunto, um encargo para o Estado de cerca de 800 milhões de euros por ano.

Só em medicamentos, o tabaco representa um custo de 500 milhões de euros, o álcool de 200 milhões de euros e a diabetes do tipo 2 (relacionada com a obesidade) de 100 milhões.

Reagindo às declarações do governante, o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, entende que compete ao Estado a tarefa de elaborar uma política de prevenção de doenças.

Carlos Braga, do Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos, também criticou Leal da Costa: "O governante demonstra falta de sensibilidade porque os portugueses estão com grandes dificuldades no acesso aos cuidados de saúde, pagam mais impostos e os salários são mais baixos."

Acrescenta que "o Governo não tem moral para dizer às pessoas que têm obrigação de prevenir a doença", tendo em conta que os doentes "evitam ir às Urgências para não pagarem taxas moderadoras".

REMÉDIOS PARA DEIXAR DE FUMAR COMPARTICIPADOS

O Ministério da Saúde está a estudar a comparticipação dos medicamentos para ajudar a deixar de fumar, ao mesmo tempo que vai avançar com legislação para impedir os novos restaurantes e cafés de terem espaços para fumadores. O secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde, Leal da Costa, admite que os medicamentos para a cessação tabágica são caros e reconhece que os fabricantes terão de rever os preços para que seja "compatível" com o erário público.

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