A Câmara de Faro chegou ao final do ano passado com 14 427 faturas por pagar, algumas com cerca de sete anos. A dívida total atinge os 84 milhões de euros. "A situação é delicada, mas estamos com soluções em marcha", diz Macário Correia (PSD), que foi eleito presidente da autarquia em 2009. E frisa que o equilíbrio das contas está a ser feito através do corte das despesas.

O edil farense assegura que, apesar da situação financeira da autarquia, "as taxas não vão aumentar, sendo apenas atualizadas de acordo com a taxa de inflação". Em relação ao custo da água, Faro, que já tem um dos tarifários mais caros do Algarve, subirá o preço em 2,5%, valor superior à inflação prevista para este ano (0,9%).

Macário Correia diz que, "nos últimos três anos, as dívidas foram reduzidas em mais de 8,5 milhões de euros". Mas salienta que é um trabalho difícil, dado que "essa redução está a ser feita quando as receitas estão a baixar, ao contrário do que aconteceu no passado, em que as dívidas subiram numa altura em que as receitas estavam a crescer".

O corte de despesas obrigou a uma redução do número de funcionários "na ordem dos 25%." Hoje, a câmara tem 820 funcionários, ou seja, menos 262 trabalhadores do que em 2009.

Para conseguir fazer face ao pagamento do grande número de faturas em atraso, a autarquia candidatou-se a um empréstimo do Governo no âmbito do Programa de Apoio à Economia Local (PAEL). Irá receber 21,3 milhões, o que "permitirá injetar capital nas empresas do concelho, sendo por isso também um importante contributo para o equilíbrio financeiro da economia de Faro" segundo refere a autarquia.

Mas essa verba não chega para saldar todas as dívidas, pelo que a câmara pretende ainda efetuar um empréstimo bancário de cinco milhões de euros.

1,5 milhões com venda de imóveis

A venda de património é uma das apostas da autarquia de Faro para arrecadar receitas que permitam o pagamento de dívidas em atraso.

O município queria obter 14 a 15 milhões de euros com a alienação de património, mas muitas das hastas públicas realizadas até agora ficaram desertas. "Até agora, vendemos 12 imóveis, no valor de 1,5 milhões de euros", diz Macário Correia, que reconhece que gostaria de ter vendido mais património camarário.

Discurso direto

Steven Piedade Ass. Jovens Empresários – Algarve

"PAEL vai injetar dinheiro"

Correio da Manhã – A difícil situação financeira da câmara reflete-se na economia local?

Steven Piedade – Obviamente que o tecido empresarial se ressente dessa situação, apesar do esforço feito pela autarquia. Acredito que o recurso ao Programa de Apoio à Economia Local (PAEL) permitirá injetar algum dinheiro através do pagamento a fornecedores.

– As taxas e os impostos são suportáveis pelas empresas?

– No caso de Faro, como de outras câmaras da região, o programa de pagamento de dívidas obriga a que as taxas sejam colocadas no máximo. O Algarve vive uma conjuntura difícil.

– O que pode ser feito para inverter a situação ?

– Sempre dependemos do turismo e da construção. Há que encontrar alternativas.

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