Positiva: é assim que o ministro da Economia da Alemanha, Philipp Rösler, classifica a vaga de 15 mil currículos de portugueses enviados para o país depois da notícia do Económico.

E se, de repente, o ministro alemão da Economia o convidasse para ir trabalhar para a Alemanha? "Tentamos trazer os jovens portugueses para a Alemanha. Esta pode ser a oportunidade para as jovens gerações de toda a Europa", afirma o ministro Philipp Rösler em entrevista exclusiva ao Diário Económico. O mais jovem elemento do governo de Merkel confessa que tem mantido conversações com o ministro da Economia português, Álvaro Santos Pereira, para concretizar este movimento de jovens.

Considerando "positiva" a vaga de 15 mil portugueses que decidiram candidatar-se às empresas da cidade de Schwabisch Hall, na sequência da notícia do Diário Económico, o político alemão acrescenta que o país quer dar "uma oportunidade aos jovens dos países que têm taxas elevadas de desemprego do Sul da Europa (ver entrevista). Uma vaga de candidaturas que foi notícia em mais de 100 órgãos de comunicação de todo o mundo.

Esta intenção de atrair portugueses é reforçada pelo presidente do parlamento federal alemão, Winfried Kretschmann, quando afirmou ao Económico que existem " jovens motivados e ambiciosos", em países como Portugal, que a Alemanha gostaria muito de acolher (ver entrevista).

"Não precisamos só de diplomados, queremos atrair trabalhadores especializados da Europa, mas também de outros países como Singapura e Índia", sublinha o governante alemão. Até porque "a falta de quadros qualificados é uma das principais limitações ao crescimento de pequenas e médias empresas alemãs", afirmou, durante a sua intervenção no Congresso dos Líderes do Mercado Global, que decorreu em Schwabisch Hall. Um encontro que reuniu as maiores empresas alemãs e que tem como ambição concorrer com o Fórum de Davos.

Consciente do problema da falta de mão-de-obra, o governante afirmou que a intenção é "tornar o processo burocrático de vir trabalhar para a Alemanha mais simples". Por isso, decidiram criar o portal "Make it in Germany", uma plataforma na internet onde se podem encontrar oportunidades e informações sobre "as condições para vir trabalhar no país", sublinha. "Esta é a nossa contribuição para lutar contra o desemprego jovem nesses países e combater a falta de pessoas qualificados para as empresas alemãs". Também é "importante ter pessoas de outros países a estudar e trabalhar cá, porque quando regressarem aos seus países poderão favorecer os negócios com a Alemanha". Para isso, prevêem "reforçar o orçamento do Goethe Institute que existe em diversos países para formar mais pessoas em alemão", sublinhou. A curva demográfica não perdoa e as previsões revelam que, neste momento, já não há jovens suficientes na Alemanha para substituir os trabalhadores que se estão a reformar. Um fenómeno que se deverá agravar nos próximos anos.

Entrevista a Philipp Rösler, ministro da Economia alemão

"Tentamos trazer jovens portugueses para a Alemanha"

A Alemanha quer dar uma oportunidade aos jovens dos países do Sul da Europa e ajudar a a combater o desemprego.

Apelou à vinda de trabalhadores de outros países europeus. O que pensa deste ‘boom' de portugueses que querem vir para a Alemanha?
Acho que é muito positivo para a Alemanha. Eu e o meu bom amigo ministro Álvaro Santos Pereira tentamos trazer os jovens portugueses para a Alemanha para ter uma boa educação. Esta pode ser a oportunidade para as jovens gerações de toda a Europa.

Querem atrair pessoas de toda a Europa?
Especialmente de Portugal, Espanha, Itália e Grécia, porque sabemos que têm taxas de desemprego jovem muito elevadas e tentamos atrair as pessoas destes países.

Pensa que a crise no Sul da Europa pode afectar o crescimento económico da Alemanha nos próximos anos?
Estamos a lutar pela estabilidade do euro e acreditamos no Pacto Fiscal e essa é a razão porque acreditamos que podemos lutar contra o défice dos orçamentos nacionais e tentamos fortalecer a competitividade de todos os Estados-membros e por isso acreditamos que vamos resolver a crise na zona euro.

[artigo publicado no suplemento Universidades e Emprego da edição do Diário Económico de 4 de Fevereiro]

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