Pouco passava das 17h00 de quarta-feira quando Ermelinda Silva deu por falta de ‘Loba’, a cadela de 11 meses que a acompanha. Depois do lanche que a diabetes a obriga a ingerir, resolveu procurar o animal nas redondezas, na zona de Idanha, freguesia de Pedroso, Vila Nova de Gaia. Desorientou-se (sofre de Alzheimer) e não encontrou o caminho para casa, na rua de Panaçais.

Aflita, a cunhada pediu ajuda à GNR e aos Bombeiros dos Carvalhos, que se esforçaram na busca da senhora, nas primeiras horas da noite. No entanto, foi a própria cadela, encontrada já depois da meia-noite pelos militares e voluntários, que indicou o caminho para a ravina onde a dona tinha caído, numa zona escura e perigosa, entre Gema e Cova do Salhão.

Ermelinda Silva foi encontrada com arranhões nos braços e na cara. Depois de assistida pelos bombeiros, foi levada ao Centro Hospitalar Gaia-Espinho. "A nossa ‘Loba’ esteve na origem deste problema, mas contribuiu muito para a solução", afirmou ao CM o marido da desaparecida, José António Santos.

A cadela chegou a casa já perto da 01h00. "Ela vinha muito abaixada e tão assustada que urinou o chão todo, junto ao portão", contou a cunhada, Ana Duarte Santos.

Ermelinda Silva, visivelmente abalada e cansada depois de uma aventura que podia ter terminado de forma bem mais trágica, só tem olhos e braços para a sua companheira: "Gosto muito da minha cadelinha."

Toda a vizinhança passou a noite em sobressalto. José António, de 59 anos, acordou com os militares da GNR: "Estava na cama e ouvi-os a gritar ‘busca, busca’ para os cães. Vi-os a dar roupa da D. Ermelinda a cheirar, mas parece que de pouco ou nada serviu." Afinal, foi ‘Loba’ que indicou a pista.

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