O Eurogrupo adiou a discussão sobre o aumento da maturidade dos empréstimos da ‘troika’ a Portugal e Irlanda.

Os ministros das Finanças da zona euro, que hoje se reúnem em Bruxelas, só decidem em Março se prolongam o prazo do programa de ajustamento de Portugal, ou seja, depois da avaliação da sétima missão da ‘troika' ao país. Em princípio, os 17 Estados apoiam o pedido português, e também irlandês, de alargamento das maturidades, de acordo com as declarações do ministro Vítor Gaspar. Também o comissário europeu, Olli Rehn, assinalou ser "favorável ao objectivo porque facilitaria o regresso aos mercados" de ambos os países.

Lisboa e Dublin formalizaram o pedido na última reunião do Eurogrupo, a 21 de Janeiro, ainda que seja uma reivindicação que ganhou contornos quando a Grécia teve o ‘ok' dos ministros, em Novembro passado, para estender em dois anos o prazo do empréstimo. Os dois governos, resgatados em 2010 e 2012, formam uma frente comum para reclamar o mesmo tratamento que os gregos, mas na última semana as condições negociais evoluíram. Dublin ‘reestruturou' a dívida irlandesa, na semana passada, durante uma operação relâmpago que já teve ‘luz verde' do Banco Central Europeu. Ao liquidar o banco IBRC (antigo Anglo Irish Bank), o Governo irlandês converteu as notas promissórias da instituição - de pagamentos anuais de 3,1 mil milhões até 2023 - em dívida soberana com maturidade até 40 anos. O défice do país, segundo o líder irlandês Enda Kenny, vai cair cerca de mil milhões de euros por ano e o nível da dívida ficará abaixo do alemão. Dublin terá assim mais margem de manobra financeira após uma operação que, segundo soube o Diário Económico, será "comentada" no Eurogrupo.

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