Estado foi lesado em 42 milhões

Armando Cardoso, presidente do grupo Conforlimpa, está em prisão domiciliária desde a semana passada. O empresário, acusado de lesar o Estado em 42 milhões de euros através de associação criminosa e fraude fiscal qualificada, terá criado uma estrutura empresarial "que permitia enriquecer o seu património, à custa do Estado", lê-se na acusação.
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Por:Manuel Jorge Bento / Tânia Laranjo








O líder do esquema de retenção de IVA através de faturas falsas de serviços inexistentes entre empresas fictícias continuou, no entanto, a tentar reduzir a dívida, mesmo em prisão preventiva. Ainda anteontem, a Conforlimpa fez um pagamento de 800 mil euros de IVA, a que acrescem outros pagamentos de elevadas quantias, nos últimos meses. O empresário já requereu um plano especial de pagamento, para evitar o encerramento das empresas e o despedimento de mais de 11 mil trabalhadores.

O MP também acusou, de fraude fiscal qualificada e associação criminosa, os quadros José Peixinho e Germinal Rodrigo, que "decidiram colaborar ativamente" na criação de empresas-satélite. Ficaram com termo de identidade e residência, tal como a filha do empresário, Andreia Cardoso, acusada dos mesmos crimes e de lesar o Estado em 1,4 milhões.

MAIS PREJUÍZO QUE BURLA QUALIFICADA NO CASO BPP

O prejuízo causado ao Estado com o esquema do grupo empresarial Conforlimpa é idêntico ao que terá resultado do aumento de capital da Privado Financeiras, em 2008, que lesou uma centena de investidores em cerca de 41 milhões de euros, de acordo com uma nota da Procuradoria-Geral de Lisboa.

No caso Conforlimpa, foram criadas várias sociedades de fachada, que passavam "faturas forjadas" à Conforlimpa (Tejo) SA e Number One, Lda, com vista a obter "a contabilização de custos de atividade que não existiram e a dedução de IVA não pago, à custa da defraudação do património do Estado", de acordo com a acusação.

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