Centenas de foliões que se divertem nas ruas do Rio de Janeiro desde o início oficial do Carnaval, na passada sexta-feira, já passaram pelo constrangimento de serem detidos à vista de toda a gente e levados para a esquadra mais próxima por praticarem um crime de desagradável odor, o de fazerem xixi na via pública.

Homens e mulheres flagrados pela polícia ou pelos guardas municipais não conseguem evitar o vexame, por mais que tenham capacidade de argumentação e lá vão explicar ao inspetor de serviço o que não tem explicação.

Os números não estão atualizados, até porque nesta terça-feira é feriado (o que, na verdade, não quer dizer grande coisa já que o Brasil inteiro não funciona desde quinta da semana passada), mas os que já foram divulgados dão uma imagem do tamanho do problema.

De acordo com os dados oficiais compilados até à manhã de segunda-feira, último relatório divulgado, nada menos que 613 foliões foram conhecer alguma esquadra da capital carioca por terem sido flagrados a aliviarem-se no meio da rua.

Ninguém fica preso por causa disso, mas a vergonha que cada um passa é de deixar marcas profundas no ego.

Até porque, além de ser apanhado com as calças arreadas ou, no caso de muitas mulheres, com as saias levantadas, os foliões que não urinam no local apropriado ainda passam pelo constrangimento das vaias e das risadas da multidão que desfilava com eles atrás de uma banda e de onde sairam para fazerem a sua necessidade no lugar errado.

A desculpa de todos os flagrados na vexatória situação é que o número de casas de banho públicas instaladas pela edilidade carioca para atenderem os milhares de nativos e turistas que brincam o Carnaval nas ruas é insuficiente, o que não deixa de ser verdade.

Mas isso não faz com que, além da vergonha que passaram ao serem detidos, escapem da multazinha da praxe, que para essas coisas os serviços públicos funcionam às mil maravilhas.

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