1. #1
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    Padrão Sem-Abrigos: O Mal da Sociedade!

    Para todos aqueles que estão doentes
    no mundo,
    Até que todas as suas doenças
    tenham sido curadas,
    Possa eu mesmo tornar-me
    o médico, o enfermeiro e o próprio
    medicamento.

    Fazendo cair um dilúvio de alimentos
    e de bebida,
    Possa eu dissipar os males da sede
    e da fome.
    E nas épocas marcadas por escassez
    e carências,
    Possa eu próprio aparecer como
    bebida e sustento.

    O meu corpo, pois, e também todos
    os meus bens,
    E todos os méritos obtidos e por obter,
    Eu os dou todos sem calcular o custo
    para efectuar os benefícios dos seres.

    Shantideva (século VIII)

  2. #2
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    Padrão Significado de Sem-Abrigo?

    A nossa sociedade está cheio de seres que mantendo uma aparência física, se afastaram da humanidade, perdendo os laços que os uniam: os sem-abrigos!

    Segundo The Housing Act (1985), uma pessoa é sem abrigo se não possui o Direito Legal ou se encontra impedido de ocupar uma casa de forma segura ou com razoável conforto.

    Segundo Rossi, a situação de sem-abrigo significa não ter acesso regular e usual a uma residência. O termo aplica-se àqueles que não são arredentários (inquilinos) ou não são possuidores da sua própria residência.

    No entanto, e apesar das dificuldades em tornar claro o conceito de sem-abrigo, alguns autores, como Leanne Rivlin descreve os sem-abrigos, com base na duração do período em que estes se encontram na rua e do consequente grau de vulnerabilidade.

    O autor distingue quatro formas e graus de sem abrigo:
    - O Crónico: associado ao alcoolismo e toxicodependência; que parte da sua vida é passada na rua; tem apenas dinheiro suficiente para uma pensão barata; pode manter uma rede de contactos sociais ou formar pequenas comunidades com pessoas na mesma situação.
    - O Periódico: que tem casa mas que a deixa quando a pressão se torna intensa, conduzindo-o para um albergue ou mesmo para a rua, mantendo-se no entanto, a casa acessível quando as tensões acalmam (incluem-se neste grupo, os trabalhadores migrantes que partem à procura de trabalho sazonal ou mulheres vítimas de violência doméstica).
    - O Temporário: mais limitado no tempo que as outras formas. Está numa situação de sem-abrigo devido a uma situação inesperada, mas a sua capacidade para ter e manter uma casa, mantém-se estável. O motivo da sua situação deve-se a um desastre natural, doença grave, desemprego, ou mudança de comunidade.
    - O Total: considerado o mais grave de todos. Traumatizado devido ao facto de não ter casa nem manter relações com a comunidade, podendo pernoitar em albergues ou nas imediações de um prédio.
    Última edição por mjtc; 22-02-2018 às 15:28.

  3. #3
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    Padrão Outros Estudos do Fenómeno!

    Na mesma linha de pensamento, David Snow e Leon Anderson, diferenciam vários tipos de sem-abrigos:
    - Os recém-chegados à rua;
    - Os institucionalmente adaptados, caracterizados pela sua adaptação ao meio através da ajuda institucional;
    - Os Outsiders, que se distinguem dos restantes devido às suas características sedentárias.

    Outros estudos como o do Pereirinha em 2005, identifica dois tipos de sem-abrigos:
    - Os sem-abrigos crónicos, com muitos anos de rua, despojados de regras e sonhos; onde a doença física e mental, e a degradação física imperam. Apesar de muitos destes sem-abrigos recorrer aos serviços públicos de saúde (hospitais ou centros de saúde), existem ainda casos de sem-abrigos, com grande debilidade física e mental, por vezes em estado terminal, a viverem na rua e sem assistência médica.
    - Os novos sem-abrigos, que se encontram há pouco tempo na rua devido a perdas profissionais, familiares, individuais, que necessitam de apoio para reconstruir a sua vida.

    O conceito de sem-abrigo nos estudos recentes sugerem que a habitação é o principal problema a ser resolvido. Só assim se pode resolver os outros problemas do sem-abrigo, nomeadamente, sociais, psicológicos, económicos, etc.

  4. #4
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    Padrão Situação dos Sem-Abrigos na Europa!

    No Inverno, os sem-abrigos que morrem de frio fazem os títulos dos jornais um pouco por toda a Europa. O fenómeno dos sem-abrigos é considerado um grave problema social na Europa, e é dificil colocá-lo na agenda europeia.

    A Comissão Europeia não possui estudos sobre o fenómeno dos sem-abrigos, que ameaça a coesão social e degrada o modelo social europeu.

    No início de 2005, a FEANTSA desenvolveu uma tipologia europeia, que caracteriza os sem-abrigos da seguinte forma:
    - Pessoas que vivem na rua;
    - Pessoas que vivem em alojamentos de emergência;
    - Sem alojamento;
    - Lares de alojamento provisórios;
    - Lares para mulheres;
    - Alojamento para imigrantes;
    - Pessoas que saíram dos hospitais ou estabelecimentos prisionais;
    - Alojamento assistido/acompanhado;
    - Habitação precária;
    - Habitação temporária/precária: casa de amigos, familiares, sem arrendamento, ocupação ilegal.
    - Pessoas à beira de despejo;
    - Vítimas de violência doméstica;
    - Habitação inadequada;
    - Pessoas que vivem em estruturas provisórias, inadequadas às normas sociais: por exemplo: caravanas, barracas, etc.
    - Sobrepopulação.

    A nível europeu existem países, tais como a França, a Bélgica, a Dinamarca, o Reino Unido e a Escócia, com algum passado legislativo ao nível dos sem-abrigos.

    Para a AMI, um sem-abrigo é todo aquele que não possui residência fixa, pernoita na rua, carros e prédios abandonados, estações de metro e comboios, contentores, ou recorre a habitações precárias, como os albergues nocturnos, quartos ou espaços cedidos por familiares. Encontra-se também a viver temporariamente em instituições, centros de recuperação, hospitais e prisões.

  5. #5
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    Padrão Os Sem-Abrigos em Portugal!

    Em Portugal, segundo a estatistica de 2011, a maioria dos sem-abrigos são de origem nacional (77%); seguindo-se os naturais dos PALOPS (12%); e de outros países (3%), onde se incluem o Brasil (2%).

    Em termos de habilitações literárias, verificou-se que são baixas:
    - 51% dos sem-abrigos tem entre o 1° ciclo e o 2° ciclo (instrução primária e preparatória);
    - 19% dos sem-abrigos possuem o 3° ciclo;
    - 9% desses sem-abrigos tem frequência do ensino secundário;
    - Somente 6% são analfabetos.

    No estado civil:
    - 66% dos sem-abrigos estão sozinhos: solteiros, divorciados ou viúvos (as mulheres regista uma maior percentagem de casados ou união de facto (28%), do que os homens (13%)).
    Por outro lado, os homens representam a maioria dos solteiros, divorciados e viúvos (78%) do que as mulheres (63%).

    Da população sem-abrigo:
    - 34% vive sozinha, sendo que 13% vive com companheiros (as);
    - 59% mantém contacto com a família, sendo as mulheres quem mais fomentam estes laços (74%). Dos homens, 53% mantém laços familiares.

    Locais de pernoita:
    - 27% dos sem-abrigos dormem na rua (escadas/átrio dos prédios, carros abandonados, contentores e estações). 85% dos homens pernoita nesses locais em relação às mulheres (15%).
    - 23% dos sem-abrigos vivem temporariamente em casa de familiares ou amigos;
    - 13% dos sem-abrigos vivem em abrigos temporários: emergência ou destinados a vítimas domésticas;
    - 7% vivem em barracas ou construções clandestinas.
    Há ainda pessoas a residir em casas alugadas (8%), e em casas próprias (2%). No entanto, pertencem ao grupo dos sem-abrigos porque se encontram sob ameaça de acções de despejo ou expulsão.

    Relativamente aos recursos económicos formais:
    - 20% são apoiados por subsídios institucionais e outros apoios;
    - 15% recebem o RSI (Rendimento Social de Inserção);
    - 10% tem pensões e reformas;
    - 26% não tem qualquer recurso formal.

    Do lado dos recursos informais:
    - 36% são apoiados por familiares e amigos;
    - 19% vivem da mendicidade.
    As mulheres recorrem com mais frequência ao apoio de familiares e amigos (47%) do que os homens (32%). Por outro lado, a mendicidade é mais frequente nos homens (22%) do que nas mulheres (9%).
    Última edição por mjtc; 17-09-2014 às 21:19.

  6. #6
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    Quando se assinala o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, uma equipa de reportagem da SIC percorreu a madrugada de Lisboa, e encontrou pessoas que vivem na rua há quase 20 anos e outras que só agora chegaram.


  7. #7
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    Padrão Os Sem-Abrigo e a Miséria em Portugal. Uma Realidade Inconveniente!


  8. #8
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    Padrão O Desabafo de um Sem-Abrigo!

    Última edição por mjtc; 17-02-2018 às 05:18.

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