Síria é o país mais perigoso para jornalistas

A Síria é o país mais letal do mundo para os jornalistas, conclui um relatório da Amnistia Internacional hoje divulgado, que relata como dezenas de profissionais foram mortos, presos e torturados nos últimos dois anos de guerra daquele país.
“Matar o mensageiro: os jornalistas atacados por todos os lados na Síria” é o título do relatório da Amnistia Internacional (AI) tornado público no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa e segundo o qual o Governo sírio “cometeu violações sérias da lei humanitária internacional”, perante a atividade de jornalistas profissionais e cidadãos naquele país.
O relatório, baseado em entrevistas e pesquisas feitas entre o início dos protestos em 2011 e março de 2013, conclui ainda que as autoridades sírias “violaram os direitos dos jornalistas” e relata como dezenas de profissionais “que denunciaram abusos de direitos humanos na Síria foram mortos, arbitrariamente presos, detidos, sujeitos a desaparecimentos forçados e torturados nos últimos dois anos”
“Mais uma vez documentámos como todos os lados do conflito estão a violar as leis da guerra, embora a escala de abusos por parte das forças governamentais seja muito mais elevada”, afirma Ann Harrison, vice-diretora do Programa da Amnistia Internacional para o Médio Oriente e Norte de África”
Pelo menos 46 jornalistas, maioritariamente sírios, foram mortos nos últimos dois anos e ainda que alguns tenham sido apanhados em fogo cruzado, acredita-se que 36 tenham sido alvos de ataques direcionados, quer pelas forças governamentais, quer pelos rebeldes.
De acordo com organizações internacionais de liberdade de imprensa, desde 2011 morrem mais jornalistas em serviço na Síria que em qualquer outro país, tornando-o o mais perigoso para estes profissionais.
O relatório também detalha o papel crucial desempenhado pelos jornalistas, muitos dos quais arriscam as suas vidas para garantir que a informação sobre a situação no país chegue ao resto do mundo.
Perante as conclusões, a Amnistia Internacional apela a Damasco que pare com a detenção arbitrária “daqueles que de forma pacífica expressam a sua oposição ao governo, incluindo jornalistas e ativistas de meios de comunicação”, que “liberte imediatamente e incondicionalmente” todos os que foram detidos apenas por exercer o direito de liberdade de expressão e ainda que “garanta aos jornalistas e monitores de direitos humanos (…) acesso legal e livre ao país”.
A AI pede também aos grupos armados da oposição ao regime para “condenar publicamente (…) todas as violações a direitos humanos e lei humanitária internacional” e para “parar de tratar qualquer um, incluindo jornalistas ou trabalhadores mediáticos, como reféns”.
“Nos últimos dois anos temos apelado à comunidade internacional que tome as medidas necessárias para assegurar que todas as partes no conflito sejam responsabilizadas pelos crimes e por outros abusos cometidos e para que as vitimas recebam compensação, mas o povo sírio continua à espera”, assinala Ann Harrison em comunicado.

Fonte: Lusa/SOL