É um local que pode assustar muita gente mas que é, literalmente, a casa de uma família de Santa Iria, no centro da cidade de Vila Real. Celestino Afonso vive, de forma feliz, com a mulher e um dos filhos, há 19 anos, dentro do cemitério local.
A morada foi atribuída em 1994 a Celestino, de 51 anos, altura em que passou a ser ali coveiro. A casa fica junto ao portão principal do cemitério, por isso quem entra no local tem obrigatoriamente de ali passar.

O outro filho do casal, agora com 27 anos, também habitou a mesma casa até casar.

"Viver dentro do cemitério é como viver noutra casa qualquer. Não tenho medo dos mortos", ironiza Celestino. Num cemitério onde passam milhares de pessoas, o coveiro conhece muita gente, consegue identificar onde está cada um dos familiares próximos dos visitantes e até é, por vezes, ombro amigo em momentos de tristeza. "É mais fácil conhecerem-me a mim, porque eu sou único", diz.

Agora, que foi operado, conta com a ajuda de dois funcionários camarários e da mulher Maria Augusta, de 46 anos, doméstica. "Quem quiser paz e sossego, vem aqui olhar os seus", diz Maria, que só tem medo dos portões abertos "porque nunca se sabe quem entra".


cm