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O presidente do Bayern Munique, Uli Hoeness, provocou escândalo ao admitir que tinha fugido aos impostos.

A questão entrou rapidamente na campanha eleitoral pela mão dos sociais-democratas, que, pressentindo abertura numa questão em que conseguissem ter vantagem sobre a popular chanceler Angela Merkel, procuraram apresentar a coligação no Governo (democratas-cristãos da CDU/CSU com liberais do FDP) como pouco dura na evasão fiscal.

Alguns analistas chegaram mesmo a considerar que uma descida nas sondagens do partido de Merkel – que nesta terça-feira aparece com 38% numa sondagem do Instituto INSA para o tablóide Bild (descida de um ponto percentual) e na semana passada tinha descido 3 pontos percentuais para 39% na sondagem semanal da Forsa – poderia dever-se à percepção da proximidade de Hoeness com Horst Seehofer, o líder da CSU e ministro-presidente da Baviera. No entanto, notam também que a percentagem do SPD se mantém inalterada na sondagem do INSA (26%) e também na da Forsa (23%). Ambas as sondagens davam 5% aos liberais, mesmo no limite do que é necessário para entrar no Bundestag (Parlamento) - as eleições legislativas realizam-se a 22 de Setembro.

A questão beneficiaria os sociais-democratas que recusaram aprovar no Parlamento um acordo fiscal com a Suíça proposto pelo Governo. Mas, diz o responsável da Forsa, Manfred Güllner, na revista Stern, que publicou a sondagem, o partido de Merkel sai prejudicado sobretudo pela proximidade de Hoeness com a CSU.

Hoeness, que nesta segunda-feira recebeu a decisão da Bundesliga que lhe permite continuar no cargo apesar de estar a ser investigado, declarou recentemente que tinha alertado voluntariamente as autoridades para uma conta na Suíça. Esta continha “milhões” dados por um executivo da Adidas para "especulação muitas vezes radical", disse entretanto Hoeness, segundo o diário financeiro britânico Financial Times.

Mas apesar de ter fornecido a informação por iniciativa própria, a revista Spiegel comentava que a trapalhada fiscal é tão grande que Hoeness se arrisca a ser mesmo condenado, o que acarretará uma pena de prisão.

Corrupção e nepotismo
E este não é o único escândalo pré-campanha vindo do Sul da Alemanha. Os deputados do estado-federado da Baviera estão a ser acusados de empregar familiares próximos pagos pelo dinheiro dos contribuintes nos seus gabinetes – uma revelação “que provoca acusações embaraçosas de nepotismo numa altura em que a Alemanha tem dado sermões a países como a Grécia por causa do nível de corrupção”, comenta o Wall Street Journal.

Na sexta-feira passada, as autoridades do estado publicaram os nomes de 79 deputados do Parlamento do estado que empregaram familiares próximos mesmo depois de 2000, quando a prática foi proibida. Todos usaram um estatuto de excepção, portanto tecnicamente a proibição não foi infringida. Mas a questão está a causar, ainda assim, polémica.

O partido mais atingido é a CSU, já que a maioria dos deputados que empregaram familiares são do partido gémeo da CDU na Baviera, que está no poder há mais de 50 anos no estado-federado do Sul. Mas 21 dos deputados são do SPD.

Já houve duas demissões: o deputado democrata-cristão Georg Winter saiu do cargo de presidente da comissão do Orçamento do Parlamento bávaro depois de ser revelado que tinha empregado a sua mulher e dois filhos durante mais de dez anos (os filhos tinham 13 e 14 anos), e o líder parlamentar da CSU Georg Schmid também saiu da liderança após ter sido divulgado que a sua mulher trabalhou no seu gabinete 23 anos com um salário de 5500 euros por mês. Mas tanto Winter como Schmid se mantiveram, no entanto, como deputados.



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