O julgamento do ex-presidente do Egito Hosni Mubarak, acusado de cumplicidade na morte de manifestantes, deverá prosseguir hoje, no mesmo dia em que devem começar a ser julgados dirigentes da Irmandade Muçulmana.


Deposto na sequência de uma revolta popular, no início de 2011, Mubarak entregou o poder aos militares e foi, meses depois, detido e acusado de corrupção e de responsabilidade na morte de centenas de manifestantes durante a rebelião que pôs fim ao seu regime.

Mubarak já tinha sido julgado e condenado a prisão perpétua neste caso, mas um tribunal superior decidiu que o julgamento deveria repetir-se, o que começou a ser feito em maio passado.

O ex-presidente, 85 anos, deixou na quinta-feira a prisão de Tora e foi transferido para um hospital militar na periferia do Cairo, onde permanece em "prisão domiciliária".

Mubarak, que esteve 30 anos no poder, está a ser julgado com outros responsáveis do seu regime e enfrenta acusações de corrupção em processos distintos.

Hoje deve começar o julgamento de dirigentes da Irmandade Muçulmana detidos no quadro de uma vaga de repressão contra os apoiantes do presidente islamita Mohamed Morsi, deposto pelos militares a 3 de julho.

Morsi, um ex-dirigente da Irmandade Muçulmana, sucedeu a Mubarak depois de ter sido democraticamente eleito em junho de 2012. Foi detido no dia em que foi deposto.

O guia supremo da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e dois adjuntos, Khairat al-Chater e Rachad Bayoumi, devem responder na justiça por "incitamento à morte" de manifestantes que contestavam Morsi num protesto em frente à sede da Irmandade, no Cairo, a 30 de junho.

A forte mobilização nas manifestações organizadas neste dia contra Morsi permitiu aos militares justificar a destituição do presidente eleito, acusado pelos populares de reforçar os poderes da Irmandade Muçulmana e de descurar a grave situação económica do país.

Fonte: NM