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Audiência de julgamento de André Godinho, que responde por 18 crimes, ficou marcada pelo medo de algumas das vítimas. Uma recusou-se a olhar para ele, outra teve de ser assistida
"Encostou-me uma faca ao pescoço, espancou-me e depois cortou-me os tendões de Aquiles e esfaqueou-me nas costas. Ele e os cúmplices abandonaram-me num descampado, nu da cintura para baixo e a esvair-me em sangue. Só não morri por milagre."
O relato, impressionante, de Valter marcou ontem a sessão de julgamento de André Godinho, que responde por 18 crimes – entre os quais estão homicídios, sequestros e roubos – no Tribunal de Albufeira.
Sem poder andar, Valter rasgou a camisola em duas partes, que atou à volta dos joelhos. "Nu, gatinhei 2 km, entre as 23h30 e as 18h30 do dia seguinte, até um caminho onde passou um homem de bicicleta a quem pedi ajuda", revelou, através de videoconferência.
Os factos remontam ao dia 31 de julho de 2012, quando Valter, residente em Portimão, foi aliciado por Inês, prostituta e namorada de André, para um local isolado onde foi assaltado por aquele e um outro homem. Este e Inês são também arguidos no processo, onde respondem por seis crimes, em coautoria.
O Tribunal ouviu ainda Paula Cristina, uma vendedora de fruta que André assaltou na Patã de Cima. Assustada, a vítima escusou-se a olhar para o seu agressor, apesar do coletivo lhe ter pedido para o fazer. Mas descreveu o que se passou a 3 de agosto de 2012: "Ele fingiu que queria comprar melões e encostou-me um x-ato ao pescoço. Roubou-me o carro, dinheiro, o telemóvel e deixou-me amarrada e amordaçada".
Arcílio S., a quem o trio assaltou, agrediu e ateou fogo à casa, na zona de Odelouca, Silves, com a vítima lá dentro, amarrada, esteve ontem também no Tribunal, mas acabou por não conseguir prestar depoimento: sentiu-se mal e teve de ser assistido no Centro de Saúde.



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