O autor do golpe de Estado de 22 de Março de 2012 que mergulhou o Mali numa crise, Amadou Sanogo, foi notificado pela justiça do seu país pela violência imputada aos seus homens, noticia hoje a Agência France Presse.



"A polícia recebeu hoje da Justiça maliana uma convocação dirigida ao general Amadou Sanogo. Segundo o protocolo, a convocatória será endereçada ao Ministério maliano da Defesa, que, por sua vez, informará o general Sanogo da convocatória", disse uma fonte na polícia de Bamaco, sem indicar quando Sanogo deverá apresentar-se em tribunal.

Uma fonte judicial confirmou a informação e precisou que esta convocatória diz respeito "às mortes", nomeadamente "do último motim contra ele", acrescentando que o general será também interrogado sobre "todas as violências dos últimos tempos", de que os seus homens são acusados.

No início de outubro, ex-companheiros de Sanogo promovidos diretamente em agosto do grau de capitão à patente de general lideraram uma revolta em Kati, o seu velho quartel-general situado perto de Bamaco, para reclamar promoções, forçando o exército a intervir para retomar o controlo das instalações.

Os militares próximos do general Sanogo são suspeitos de repressão sobre os soldados que agora se lhe opuseram.

Em meados do mês, famílias de militares questionadas pela AFP afirmaram ter descoberto no posto de Kati e arredores os corpos de pelo menos três dos seus parentes.

Nos meses que se seguiram ao golpe de Estado de março de 2012, o quartel de Kali foi palco de numerosas atrocidades cometidas pelos homens de Sanogo contra os militares considerados fieis ao Presidente nessa altura deposto, Amadou Toumani Touré.

O golpe de Estado precipitou a queda do Norte do Mali nas mãos de islamitas armados, que o ocuparam a região durante nove meses, até entrar em campo uma operação militar internacional iniciada pela França em janeiro e ainda em curso.

Fonte: NM