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Com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, em Genebra, e os ministros dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, França e Alemanha a caminho da cidade suíça, cresce a expectativa de que as negociações para a suspensão do programa nuclear do Irão produzam resultados ainda hoje.

Pode não ser ainda o “pacto abrangente e duradouro” que o chamado grupo dos 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido + Alemanha) pretende fixar com a república islâmica. Em cima da mesa das negociações estava uma proposta apresentada pela diplomacia norte-americana, que prevê o alívio do pacote de sanções internacionais em troca da suspensão das actividades nucleares do irão, nomeadamente do enriquecimento de urânio, durante um período de seis meses.
É uma solução provisória, apresentada como “um primeiro passo” num processo que será necessariamente longo e complexo. No entanto, a ser assinado, o acordo marcará uma nova era nas relações diplomáticas do Ocidente com o regime de Teerão: as negociações sobre o controverso programa nuclear – que o Irão garante ter como único objectivo a produção de energia e a comunidade internacional teme poder ter fins militares – foram interrompidas há uma década.
O ministro dos Negócios Estrangeiros Mohammad Javad Zarif, que lidera a delegação iraniana presente em Genebra, estimou à CNN que “talvez” fosse possível fechar um acordo esta sexta-feira. “Penso que estaremos em condições de fazer uma declaração conjunta que tenha em conta três elementos essenciais: um objectivo comum, um calendário negocial e medidas para a construção da confiança mútua”, disse.
Em Moscovo, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, concordou que existe uma “boa possibilidade” de as partes que estão a negociar em Genebra cheguem a um consenso, “que inclua um rascunho comum para uma solução definitiva do problema”, disse à Reuters.
De regresso aos Estados Unidos depois de uma ronda de visitas no Médio Oriente, o secretário de Estado John Kerry resolveu fazer uma escala em Genebra, para “limar as arestas” e esbater as diferenças com o Irão de forma a alcançar um compromisso ainda antes do fim-de-semana. “O secretário de Estado fará tudo o que estiver ao seu alcance para tornar uma cordo possível”, garantiu o seu porta-voz.
Kerry encontrou-se em Telavive com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que manifestou a sua feroz oposição ao compromisso que o Grupo 5+1 ofereceu ao Irão. “Parece que os iranianos estão muito satisfeitos em Genebra, e devem estar porque sem pagar nada receberam tudo o que queriam”, criticou. “Queriam o alívio das sanções que deixaram a sua economia no abismo, e conseguiram. E não queriam abrir mão das suas capacidades nucleares e não abriram. O Irão obteve o negócio do século e a comunidade internacional o pior acordo possível”, prosseguiu.
Além de críticas, Netanyahu deixou um recado. “Israel rejeita este acordo em absoluto. E não ficamos obrigados a nada: continuaremos a fazer tudo para defender o nosso território e a segurança da nossa população”, prometeu.



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