"É uma pouca-vergonha e uma miséria. Há mais de oito dias que ando a gemer com dores", queixa- -se Joaquim Gonçalves, 43 anos, que aguarda, desde dia 4 deste mês, no Hospital de Portimão, pela cirurgia a uma fratura no colo do fémur, resultado de um acidente de viação.

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Joaquim Gonçalves conta que foi informado, no dia em que deu entrada no hospital, que iria para o bloco operatório, mas isso não aconteceu. A intervenção cirúrgica acabaria por ser marcada para a última sexta- -feira, dia 8, mas não foi realizada, devido à greve.

A operação foi agendada, então, para dia 15 - próxima sexta-feira - mas Joaquim já foi informado de que não se concretizará "por falta de anestesista". A nova data que lhe comunicaram foi 22 de novembro - quase 20 dias depois do acidente - "e sem garantias", diz, revoltado.

Farto de esperar, Joaquim pediu para ser transferido para o Hospital de Faro, o que aconteceu anteontem. Deverá ser operado hoje, prometeram-lhe.

Ao CM, Pedro Nunes, o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Algarve, admitiu que "o doente tem toda a razão e que já devia ter sido operado", justificando a demora "com a falta de médicos".

Pedro Nunes frisa que tem feito "tudo o que é possível" para libertar ortopedistas para o bloco operatório, com a restruturação das Urgências, mas argumenta que não pode "inventar médicos". Têm sido e vão continuar a ser abertos concursos para médicos, estando, para já, assegurada a colocação de mais dois ortopedistas no Algarve, garante.



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