Ângela Abreu descobriu o processo de produção 100% biológica de hidrogênio, inovação distinguida também pela Agência Espacial Europeia.


A investigadora Ângela Abreu, do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho, acaba de ser premiada pela Agência Aeroespacial Norte Americana (NASA) e pela Agência Espacial Europeia (ESA) por ter criado um processo inovador de produção biológica de hidrogênio.

A cientista de 37 anos, natural de Famalicão, ganhou ainda uma bolsa de viagem da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, que irá custear as despesas de deslocação no âmbito da investigação em curso desde 2012 e que se prolongará no mínimo até ao próximo ano.

O trabalho agora distinguido, "Biohydrogen production using bionanocoatings for immobilizong highly efficiente hydrogen production bacteria", conta com a colaboração da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, e o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Produção de energia mais verde



De acordo com Ângela Abreu, sendo a produção de hidrogênio feita, sobretudo, a partir de combustíveis fósseis, o novo processo tem a mais-valia de "recorrer a resíduos orgânicos e a efluentes, ou seja, matéria 100% biológica".

"Este biohidrogénio é um vetor energético que poderá ser usado em células de combustível para produção de eletricidade, entre outras aplicações", adianta.

Na investigação são utilizadas bactérias eficientes que conseguem decompor os resíduos orgânicos em produção de biohidrogénio, reação que decorre em laboratório num reator anaeróbico, ou seja, "com ausência de oxigênio".

A grande vantagem da inovação "é a imobilização das bactérias nos reatores através de um revestimento de latex que permite a troca de matéria orgânica e do hidrogênio", explica a cientista.

A apresentação do trabalho decorreu num dos polos da ESA, em Frascati, Itália, no decurso do Workshop Internacional sobre Ambiente e Energias Alternativas.