Exoesqueletos do Projeto Andar de Novo chegam ao País


Veste será usada por paciente com paraplegia que dará o pontapé inicial na abertura da Copa do Mundo 2014
por Portal Brasil publicado: 06/03/2014 12:42 última modificação: 06/03/2014 12:47
Divulgação/Portal da Copa Testes iniciais foram feitos em ambiente virtual e com uma veste robótica estática, permitindo os pacientes andarem sem sair do lugar




Testes iniciais foram feitos em ambiente virtual e com uma veste robótica estática, permitindo os pacientes andarem sem sair do lugar


O neurocientista Miguel Nicolelis informou, em sua página do Facebook, que dois exoesqueletos do Projeto Andar de Novo desembarcaram, na quarta-feira (05), no Aeroporto de Guarulhos (SP). “Mais uma etapa vencida com sucesso”, disse o coordenador do projeto.

Os exoesqueletos são vestes robóticas que vão ajudar pacientes com paraplegia a voltarem a andar. Eles poderão controlar o exoesqueleto apenas com atividade cerebral.

As mensagens fornecidas pelo cérebro, como a vontade de andar, de se mexer ou de parar, serão captadas pelo robô para que os movimentos sejam gerados. E o exoesqueleto também devolverá ao paciente sensações do mundo exterior.

Oito pacientes paraplégicos foram selecionados na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), em São Paulo, onde foi criado um novo laboratório de neuro-robótica.

Os testes iniciais são feitos com um ambiente virtual e com uma veste robótica estática, que permite que os pacientes andem sem sair do lugar. Na sequência, os pacientes vão aprender a usar as vestes robóticas que acabam de chegar.

Usando o exoesqueleto, um desses pacientes será escolhido para dar o pontapé inicial da Copa. Ele vai se levantar da cadeira de rodas, caminhar por cerca de 25 metros no campo da Arena Corinthians, em São Paulo, no dia 12 de junho, e dar início à Copa do Mundo da Fifa 2014.

Captação de sensações e vontades

Segundo Nicolelis, o exoesqueleto incorpora as mais modernas tecnologias do mundo da robótica. A base disso é o conceito de Interface Cérebro-Máquina-Cérebro.

Em um primeiro momento, sensores conseguem ler os sinais elétricos gerados pelo cérebro e extrair desses sinais a mensagem que produz o movimento, fazendo com que um artefato robótico ou virtual também se movimente. Na segunda etapa, sensores táteis acoplados ao aparelho mandarão sinais para o paciente.



“Quando a pessoa tocar o chão, quando o joelho da veste robótica se mexer, os sensores táteis permitirão que esses sinais gerados no robô possam ser devolvidos para o sujeito através de uma camiseta que transmite esses sinais de volta para a pele dos braços ou do dorso, onde a pessoa ainda tiver a sensibilidade intacta”, disse Nicolelis.

A camiseta foi desenvolvida na Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça. O cientista afegão Solaiman Shokur, um dos pesquisadores que participaram desse trabalho, atualmente integra a equipe do Instituto de Neurociências de Natal. Segundo ele, o feedback tátil permitirá que o paciente caminhe sem precisar ficar constantemente olhando para baixo.

Pontapé não é ponto final

O pontapé inicial na Copa será uma demonstração importante e um marco para o projeto Andar de Novo, mas a equipe é unânime em enfatizar que não é ponto final.

“Nossa intenção é manter toda essa equipe, continuar trabalhando com o governo brasileiro e com os nossos parceiros, para chegar até o objetivo final, que é criar uma veste robusta o suficiente para que qualquer paciente com uma lesão na medula espinal possa tirar vantagens. Não só pacientes com paraplegia, mas também para pacientes com tetraplegia, com lesões mais altas e que tenham boa parte do corpo paralisada. O que queremos é usar a abertura da Copa para mostrar para o mundo que nós estamos chegando perto disso”, disse Nicolelis.

O neurocientista explica que a demonstração no dia 12 de junho será restrita a algumas possibilidades da tecnologia. “É uma demonstração peculiar, com uma série de fatores de risco: ao ar livre, com 70 mil pessoas no estádio, sinais de televisão do mundo inteiro e telefones celulares. Por isso, optamos por uma técnica mais conservadora, usando sensores superficiais no couro cabeludo, que são não-invasivos. Eles capturam ondas cerebrais globais e os sinais são transmitidos para o exoesqueleto, para controlar os diferentes movimentos gerados por ele”, acrescentou.

Segundo Nicolelis, já foram desenvolvidos microchips que, no futuro, poderão ser implantados superficialmente no cérebro do paciente, por meio de uma cirurgia rápida, semelhante ao procedimento de um marca-passo cardíaco.

Fonte: deficiente-forum.com - Índice