Existem muitas técnicas de pesca embarcada.
A prevalência dos pescadores portugueses vai para meia dúzia delas, as mais práticas e rentáveis.
Umas técnicas são mais activas, outras mais passivas. Outras são mistas. Contudo, será em função do local onde se pesca e sobretudo do modo de vida da espécie que se pretende capturar, que se deve aplicar uma determinada técnica.

Cada espécie tem uma distribuição espacial marítima própria, e consequentemente a acção do pescador será apresentar no local onde ela vive ou se alimenta, um isco ou uma amostra tentadoras.
Existem também certas condições, que aconselham que se aplique determinado tipo de técnica:
  • a corrente;
  • o vento;
  • a profundidade;
  • o tipo de fundo;
  • a altura do ano;
  • a hora; etc
A distribuição espacial dos peixes
Considerando os locais onde os peixes habitualmente vivem e se alimentam, podemos conceber quatro padrões:
-Peixes tipicamente bentónicos
São os peixes, que vivem em estreito contacto com o leito do mar, passando nele a maior parte das suas vidas. Os representantes típicos dos peixes bentónicos são os peixes–chatos ( solhas, linguados e raias ), os blenídeos e os góbios.
-Peixes bentónicos
São os peixes, que habitualmente não se afastam mais de um metro do fundo do mar. Os representantes mais emblemáticos desta categoria são os labrídeos (bodiões) e os serranídeos (meros, garupas, serranos e robalos).
-Peixes pelágico–bentónicos
São os peixes, que estão ligados ao fundo do mar, mas fazem a sua vida a uma certa distância dele. Os representantes simbólicos são os esparídeos (canário–do–mar e castanhetas).
-Peixes tipicamente pelágicos
São os peixes, que vivem toda a sua vida totalmente independentes do fundo do mar. Exemplos característicos são as bogas, os atuns e os espadins.
Os domínios
Assim, os peixes distribuem-se por toda a superfície dos fundos marinhos e por toda a massa de água, desde a orla litoral até às maiores profundidades. Importa ao pescador saber em que áreas pode encontrar determinadas espécies. A topografia do fundo do mar está esquematizada em quatro áreas:
-Litoral
-Plataforma continental – até uma profundidade de 130/150 metros;
-Vertente continental – até uma profundidade de 2500/3000 metros;
-Planície abissal – até cerca de 6500 metros de profundidade.

Obviamente, que aos pescador recreativo ou desportivo, só interessarão as três primeiras vertentes, sobretudo a 1ª e a 2ª. As comunidades animais e vegetais que vivem sobre os fundos e na massa de água, variam consoante os factores físicos existentes: a luz; a temperatura da água; a agitação da água; a pressão; a natureza dos substratos, etc.
As Técnicas de Pesca
As principais técnicas de pesca, consideradas essenciais, para a maioria dos pescadores, são as seguintes:
A pesca de fundo com barco fundeado. Este tipo de pesca consiste em ter uma cana na mão dotada de um fio com um aparelho dotado de um ou vários estralhos, que se deixa ir até ao fundo.
A pesca à deriva Esta técnica consiste em utilizar a deslocação da embarcação sob o efeito da corrente e do vento, a fim de percorrer as zonas de pesca com iscos naturais.
A pesca de lançamento Colocação de um isco natural vivo ou morto no melhor local, a fim de ele evoluir naturalmente na corrente.
A pesca ao lançar – recolher Esta técnica é intermediária entre a pesca de fundo e a pesca de lançamento. Visa lançar e recolher lentamente um isco natural ou artificial.
A pesca ao corrico O princípio desta técnica consiste em arrastar uma ou várias linhas dotadas com iscos naturais ou amostras.
-Corrico rápido Destinado a capturar tonídeos e peixes de bico
-Corrico lento Consiste em arrastar lentamente iscos naturais, vivos ou mortos.
-A pesca tradicional ( palangrote ) Trata-se do mesmo tipo de técnica da pesca ao fundo com barco ancorado, mas não utilizando cana. A linha é trabalhada à mão.
-A pesca à bóia É a técnica de pesca que utiliza bóias, a fim de poder apresentar aos peixes um isco.
-A pesca a grande profundidade Esta técnica permite capturar peixes a grande profundidade: de 150 a 1.000 metros.
-A pesca contra a corrente Trata-se de lançar um aparelho munido de uma chumbada com grampos visando fixá-la no substrato, contra a corrente.
-A pesca com linha morta A linha pesca só, sem chumbada nem bóia, ao sabor da corrente.
-A pesca ao penisco (dandinar) É o envio para o fundo de colheres imprimindo-lhes um movimento de “yó-yó” constante.
-A pesca com cana pousada A cana é colocada no porta canas, depois de efectuado o lançamento e o aparelho ter sido colocado no fundo.